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Contratempo

“Contratempo” é o documentário que marca a excelente estréia da atriz (não tão excelente assim no campo da atuação) Malu Mader na direção. O filme, realizado através de uma parceria de Malu com Mini Kerti, conta a história de jovens moradores de favelas cariocas que descobrem na música clássica a possibilidade de uma vida diferente – ou ao menos um meio de esquecer seus problemas (mesmo que momentaneamene).

Até aí, nada de muito original. O que talvez até contribua para que esse seja um filme bem interessante. Já que com um tema e assuntos tão em voga – jovens com pouca perspectiva de futuro; favelas; guinada através da música – os cuidados para não ultrapassar os limites entre o belo e o piegas, entre o sensível e o apelativo, entre o original e o clichê devem ser dobrados.

Por falar na sensibilidade, é nela que se encontra o ponto forte do longa. As diretoras acertaram ao selecionar, entre os jovens músicos beneficiados pelo projeto social Villa Lobinhos, aqueles que fizeram parte do “elenco” do filme e, mais ainda, na escolha das cenas de cada um deles que compõem “Contratempo”. Alguns relatos são emocionantes, enquanto outros chegam a ser hilários.

Nenhum “personagem” recebe mais importância do que os demais, mas alguns naturalmente se destacam, seja pelo carisma e espontaneidade – como é o caso de dois irmãos gêmeos – seja pela história de vida, ou pelo início de uma carreira promissora (um dos meninos, Pedro Nascimento, é compositor e faz parte de uma banda pop chamada Diwali, que está começando a fazer sucesso com o público adolescente).

Para complementar, a trilha sonora é belíssima e vai de Villa Lobos ao samba – ou ao pop. Todas as músicas são tocadas pelos alunos do projeto social Villa Lobinhos e Malu e Mini parecem ter se preocupado em não criar um falso conto de fadas, mostrando que o aprendizado erudito não significa que aqueles jovens integram ou integrarão alguma orquestra. O que não quer dizer que o envolvimento com a música não tenha modificado – de formas e intensidades diferentes – a vida de cada um deles.

O filme não teve tanto ibope na 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes quanto “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa”, mas merece mais atenção nas salas de cinema. A diretora Malu Mader disse estar preparando mais um longa (desta vez uma ficção). Depois desse maravilhoso “Contratempo”, num momento que vários atores brasileiros estão se aventurando do outro lado das câmeras e se saindo bem na nova empreitada, só nos resta torcer por mais uma boa surpresa.

nota: 9/10 -- veja no cinema e compre o DVD

Contratempo (2009, Brasil)
direção: Malu Mader, Mini Kerti; roteiro: Malu Mader, Mini Kerti; produção: Bia Almeida, Carolina Benevides; fotografia: Flavio Zangrandi; montagem: Sergio Mekler; música: Valeria Ferrou; estúdio: VideoFilmes; distribuição: VideoFilmes. 98 min
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Titãs - A Vida Até Parece uma Festa


O filme comandado por Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves tem tudo para ser o documentário brasileiro de maior público da história do nosso cinema. Se levarmos em conta a empolgação da multidão que se espremia na praça de Tiradentes para assistir ao longa, essa não será uma tarefa difícil. A eleição do filme como o melhor da 12ª. Mostra de acordo com o júri popular só confirma isso. Por outro lado, exemplos é o que não nos faltam de que popularidade nem sempre é sinônimo de qualidade.

O filme mostra a trajetória dos Titãs, desde seu início até os dias atuais, sem construir uma narrativa linear. As imagens (muitas delas bastante interessantes isoladamente) parecem ter sido jogadas no longa de forma aleatória e sem propósito.

Não posso negar que não deve ter sido um trabalho fácil conseguir autorizações para exibição da imagem de tantas pessoas – entre anônimos e famosos – além de remexer arquivos antigos de emissoras de TV. Só o arquivo pessoal da banda já conta com algumas pérolas impagáveis. No geral, o que vemos é um filme composto por recortes de vídeos caseiros, videoclipes, participações em programas de televisão e imagens de shows.

Quanto à emoção, “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” pode levar o espectador do riso às lágrimas com muita facilidade. É um filme que se dedica mais a mostrar o lado descontraído e brincalhão da banda (fazendo jus ao título), sem se preocupar em dar muitas explicações quando retrata momentos polêmicos vividos por algum dos Titãs.

Mesmo assim, o mais interessante do documentário não está nas cenas engraçadas, mas em saber como algumas situações vividas pela banda influenciaram a composição de grandes sucessos. “O Pulso” surgiu depois que Branco Mello sobreviveu a um aneurisma. “Polícia” veio da revolta da banda quando teve dois de seus integrantes presos. “Epitáfio” foi inspirada pelo choque sofrido com a morte Marcelo Fromer...

Com início e fim empolgantes, e o meio um pouco cansativo, “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” parece uma junção de ótimos extras de DVD capazes de contagiar qualquer fã, mas não vai muito além disso. Como filme deixa a desejar. Como espetáculo musical... Ora essa, eles continuam sendo os Titãs! Merecem respeito e um pouco de crédito.

nota: 6/10 -- vale o ingresso

Titãs – A Vida Até Parece uma Festa (2009, Brasil)
direção: Branco Mello, Oscar Rodrigues Alves; com: Arnaldo Antunes, Tony Bellotto, Sérgio Britto, Marcelo Fromer, Charles Gavin, Branco Mello, Paulo Miklos, Nando Reis; roteiro: Branco Mello, Oscar Rodrigues Alves; produção: Angela Figueiredo, Paulo Roberto Schmidt; montagem: Branco Mello, Oscar Rodrigues Alves; estúdio: Academia de Filmes, Casa 5; distribuição: Moviemobz. 100 min
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Mostra de Cinema de Tiradentes - Entrevista com Murilo Grossi


No dia 24 de janeiro, foi exibido na 12ª. Mostra de Cinema de Tiradentes o filme “Subterrâneos”, do diretor homenageado, José Eduardo Belmonte. Ao fim da sessão, conversei com Murilo Grossi, um dos protagonistas do longa, sobre um sindicalista que abandona o trabalho para escrever um livro sobre o Centro Comercial de Brasília, onde encontra personagens bastante característicos.

Grossi, que estava ao lado de Rosanne Mulholland (atriz de outro filme de Belmonte, "A Concepção"), respondeu as minhas perguntas com muita descontração e simpatia. O resultado dessa conversa você acompanha logo abaixo.

As cenas que vocês dialogam com pessoas nas ruas me pareceram bem naturais. Vocês realmente pegaram pessoas que passavam nas ruas para gravar?

Murilo Grossi: Sim. Muitas vezes a gente chegava com a câmera bem de longe e a pessoa não via que estava sendo filmada. Era improvisado.

Rosanne Mulholland: E aquela cena da barbearia? Aquele diálogo é muito bom.

MG: Não. Aquele diálogo é um diálogo, uma cena produzida. Aquele é o João Paulo, que é ator.

RM: Eu não conheço ele. Ele é bom pra caramba.

MG: O João Paulo é ator, mas ali não é um diálogo em si, não é um diálogo inteiramente escrito. Nada no filme tem um diálogo inteiro. A gente recebia uma indicação de um diálogo, mas você tinha que fazer na hora. Era meio improvisado mesmo.

O prédio que a moça (Cibele Amaral) entra no final, e ela abraça a atendente da loja chorando, aquilo também é improvisado?

MG: É real.

A moça não sabia que ia ser abraçada?

MG: A gente entrava e falava: “A gente tá fazendo um filme. A gente pode filmar?” “Pode, mas o que é?” “Não... Ela vai só conversar com você.” “Tá bom.” “Ação!” Então, ela não sabia o que ia acontecer.

E para o ator também é inesperado, porque você não sabe como aquela outra pessoa vai reagir.

MG: É totalmente. O filme todo é em plano-sequência e nunca teve repetição. Entre os atores também funcionou assim. Era uma indicação de diálogo, mas não tinha nada pronto. Mesmo quando era uma cena só entre atores.

Como surgiu sua participação no filme?

MG: Eu era parceiro do Zé (José Eduardo Belmonte) desde o primeiro filme dele. O primeiro curta-metragem do Zé, que foi meu primeiro filme também. Aí eu fiz todos os curtas-metragens do Zé. A gente já tinha uma longa história juntos. Quando ele foi fazer esse longa foi meio que um esforço de um grupo de pessoas para fazer um longa. E aí, nos juntamos e fizemos. Já é uma consequência de um trabalho juntos.

Como foi rever o filme seis anos depois?

MG: Muito bom! Há muito tempo eu não via o filme e a gente não sabia como estava o som. No começo, a imagem... Apareceram uns riscos na tela. Eu fiquei preocupado, mas correu tudo bem. A recepção do público em Tiradentes é sempre muito boa. Foi assim em 2004? Acho que foi em 2004 quando exibimos o filme aqui pela primeira vez, e agora também foi ótimo. Um público enorme, muito inteligente e receptivo.

É bem diferente do público nas salas comerciais...

MG: Completamente diferente. Aqui tem uma coisa bem legal que eu estou adorando. É um “clima” diferente.
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Subterrâneos


“Subterrâneos” é o primeiro longa-metragem do diretor homenageado na 12ª. Mostra de Cinema de Tiradentes, José Eduardo Belmonte. O filme foi rodado em Brasília, em 2003, mas de lá para cá não perdeu nada no quesito atualidade. Isso porque o que vemos na tela é uma composição de cenários, pessoas e situações comuns as grandes cidades Brasileiras, mas que muitas vezes passam despercebidos por nosso olhar.

Belmonte comanda um filme norteado pelos reflexos da “loucura” urbana. Chamo de loucura, em primeiro lugar, porque estamos sempre tão imersos em nossas vidas e problemas, sempre com tanta pressa que não questionamos – ou não confrontamos – o espaço em que vivemos. Loucura também (e é por esse aspecto que optei pelo uso das aspas) que está aparentemente tirando a razão das personagens centrais do filme. Aquelas pessoas que, ao contrário dos demais, tentam ao menos entender e decifrar parte do mundo em que vivem. Tais questionamentos chegam a parecer devaneios de mentes perturbadas, tanto para as personagens “sãs”, como para o espectador.

O mais interessante é que Belmonte faz isso de uma forma tão real que é difícil não concordar, ou ao menos entender, as atitudes de seus protagonistas. O uso de locações que nos mostram um lado menos “cartão postal” de Brasília, a participação de pessoas comuns e as improvisações são fundamentais para que o filme seja tão naturalmente crível.

Não se identificar com alguém ou com alguma situação do filme é uma tarefa quase impossível. Mas, se você se identificar mais com o estrangeiro que vem gravar um filme no Brasil, para quem tudo é novidade, talvez seja o momento de se questionar. Para quem não gosta de viver numa bolha, “Subterrâneos” é o filme perfeito.

nota: 9/10 -- veja no cinema e compre o DVD*

Subterrâneos (2003, Brasil)
direção: José Eduardo Belmonte; com: Murilo Grossi, Chico Sant`Anna, Nicola Siri, Cibele Amaral, João Paulo Oliveira, Andrade Jr., Roque Fritsch, Wilian Lopes, Lucenaide Pinheiro, Gabriele Lopes, Soraia Furacão, André Deca, Ricardo Machado; roteiro: José Eduardo Belmonte; produção: Roque Fritsh; fotografia: André Lavenéré, André Luís Da Cunha; montagem: Rodrigo Benevelo; música: Zé Pedro Gollo. 86 min


*NOTA DO EDITOR: "Subterrâneos" foi lançado em 2003 no Festival de Brasília e, desde então, é exibido apenas no circuito de festivais, permanecendo inédito no circuito comercial.
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Mostra de Cinema de Tiradentes – momentos e impressões (parte 2)


Em meu segundo, e infelizmente último, dia de mostra (domingo, 25), resolvi não assistir a sessão de curtas infantis depois da decepção que tive com os curtas do dia anterior. Cheguei ao Cine Tenda para acompanhar a Série Especial: Retratos de curtas digitais. Enquanto esperava na fila, alguns pais saíam com os filhos (a maioria bem pequenos) antes do fim da sessão.

Pouco tempo depois, uma multidão de crianças e alguns adultos desocuparam a sala. Assisti a três documentários bem razoáveis que, como numa escala, foram melhorando sensivelmente do primeiro ao último. O primeiro, "Miró: Preto, Pobre, Poeta e Periférico", de Wilson Freire, me deu vontade de sair, como aquelas crianças que eu tinha visto há pouco. O estilo de narração do protagonista quando está declamando suas poesias me lembrou aquelas pessoas que entram no ônibus para pedir ajuda, vender canetas, adesivos para clínicas de recuperação de dependentes químicos. Não tenho nada contra essas clínicas, mas esse discurso ensaiado e a fala excessivamente dramática chegam a gerar um desconforto para meus ouvidos.

Apredinda a lição, permaneci na sala quando a série acabou. Em 30 minutos começaria “A Concepção” (crítica em breve), de José Eduardo Belmonte. Sabia que era um filme polêmico e que alguns julgaram apelativo. Mas, eu achei genial! Fiquei me perguntando se os concepcionistas realmente existem, ou se já existiram... É o tipo de filme que é quase impossível sair do cinema com a cabeça “vazia”. Todos saíam calados. Pareciam estar digerindo o que tinham acabado de ver.

Saí de lá ainda pensando sobre “A Concepção” e, pouco depois, estava na praça para ver o filme que mais despertou meu interesse entre todos da programação de Tiradentes: “Contratempo” (crítica em breve), de Malu Mader e Mini Kerti. Há algumas semanas vi a Malu falar sobre o longa no Altas Horas. Fiquei com vontade de assistir. Quando saiu a programação da mostra torci para estar lá no dia da exibição.

Antes do filme começar, Malu Mader chegou. Todos queriam falar com ela, tirar fotos ou pelo menos vê-la bem de perto. Aproximei-me para acompanhar uma entrevista que ela dava à TV da Mostra. Naquele momento, já ficou claro que ela estava ali para cumprir agenda. Ela foi apresentada ao público, falou sobre seu documentário, sobre a ausência dos Titãs no dia anterior e, confirmando a impressão que tive, falou sobre a alegria da banda em poder exibir o longa num ambiente tão descontraído.

Antes da metade do filme Malu Mader foi embora e “levou” com ela muitas pessoas que estavam na praça. O número de espectadores que foi se levantando depois da partida da estrela global me impressionou, tanto quanto o excesso de atenção da produção da mostra para com ela (parecia até incomodá-la). Tenho que admitir que a atitude dessas pessoas chegou a me causar certa revolta. Afinal, eu estava diante de um filme sensível, bonito, engraçado... Tudo ao mesmo tempo e sem apelar ou explorar a realidade de seus protagonistas. Um filme honesto e melhor do que tudo que já vi Malu fazer como atriz.

Terminei a noite com o belo som da orquestra formada pelos muito bem selecionados personagens de “Contratempo”. Uma ótima maneira de fechar minha breve passagem por Tiradentes.
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Mostra de Cinema de Tiradentes - um protesto em prol das crianças


Todo ano a programação da Mostra de Cinema de Tiradentes voltada para o público infantil chama minha atenção. A exibição de longas inéditos é algo raro. Este ano ainda podemos agradecer por não ter aparecido nada da Xuxa e do Didi por lá.

Sem falar nos curtas. Os que pude ver são filmes que uma criança com menos de oito ou nove anos não compreende. Entender já é difícil, gostar deles é ainda mais complicado. Falta cor, falta vida, falta alegria. São filmes COM crianças, mas não são feitos para elas. Colocam os pequenos dizendo frases que nenhuma criança diria – a não ser que ela seja um gênio, superdotada.

Para compensar a falta de qualidade, balas são distribuídas na entrada, balões na saída, personagens fazem brincadeiras antes do início das exibições. Os pequenos se empolgam, fazem festa e brincam o tempo todo. Em alguns momentos fica até difícil ouvir o que os personagens do filme estão falando. Passar ao lado do Cine Tenda já era o suficiente para ouvir o filme rolando e a meninada gritando e batendo os pés no chão.

No fim da sessão, elas saem com os balões nas mãos. Algumas, parando um pouco para observar é possível perceber, não são turistas. Talvez estejam assistindo a filmes numa tela de cinema pela primeira vez. O encantamento delas chega a me fazer esquecer, por algum tempo, meu descontentamento com a programação infantil, mas não chega a justificar. Tem quem diga que o problema não está em Tiradentes, mas na indústria cinematográfica brasileira que não investe no público infantil. Se isso é verdade, deixo aqui meu protesto em prol de um cinema de mais qualidade para o bem dos nossos pequenos, e dos adultos que os acompanham.

Pensando um pouco, os números de público dos filmes da Xuxa já são um bom indicativo de que não vamos nada bem nesse ramo.
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Mostra de Cinema de Tiradentes - momentos e impressões (parte 1)


Quando cheguei a Tiradentes para a 12ª. mostra de cinema no último sábado, dia 24, o tempo estava nublado. Por volta do meio-dia o movimento pequeno de turistas chamou minha atenção. Primeiro pensei que o tempo ruim tinha feito com que alguns desistissem da viagem. Quando fui assistir à sessão de curtas infantis no início da tarde, cheguei a pensar que a programação repleta de trabalhos de novos e desconhecidos diretores poderia ter contribuído para o público, não pequeno, mas menor do que vi em minha última visita à mostra.

No fim da tarde, assisti a um ótimo filme do diretor homenageado, José Eduardo Belmonte, “Subterrâneos” (crítica em breve). Sessão praticamente lotada. As pessoas estavam chegando. Tudo indicava que o público estava chegando aos poucos a Tiradentes. Acabada a sessão – que teve início por volta das 18h – meu estômago já dava sinal de vida. Mesmo vendo que algumas pessoas não abandonariam a sala, já na espera para o próximo filme (“A Festa da Menina Morta”), deixei a sala. Logo que sai da sessão me deparei com uma fila tão grande que só depois de seguir por algum tempo avistei seu final. A sala, com capacidade para 600 pessoas, abrigaria todos aqueles que já estavam na fila, mesmo assim era muita gente. Achei melhor esquecer a fome e encarar.

Tudo que pensei no início foi completamente o oposto do que aconteceu com a cidade nesse segundo dia de mostra. O Cine Tenda ficou pequeno para a quantidade de turistas que Tiradentes recebeu. No fim de “Subterrâneos”, mais pessoas do que eu imaginava optaram por ficar dentro da sala. Como resultado, mais da metade dos que estavam na fila, incluindo eu, não conseguiram entrar para ver o filme.

Agora não tinha mais o que fazer, poderia ir assistir ao filme dos Titãs no Cine Praça, mas faltava pouco menos de uma hora para o início. Era a hora de fazer uma pausa e comer algo, certo? Errado! Quando me encaminhava para a lanchonete da tenda vi Murilo Grossi (protagonista de “Subterrâneos”) ao lado da atriz Rosanne Mulholland e algumas pessoas que eu desconhecia. Tinha algumas curiosidades sobre o filme... Talvez essa pudesse ser uma boa oportunidade para uma entrevista. E era. Depois de uma conversa rápida, os amigos do ator já tinham partido para o restaurante onde iriam jantar. Resolvi terminar nossa entrevista e ir para a praça. Carros, pessoas, mesas, cadeiras e muito estrume disputavam cada espaço do Centro de Tiradentes. Quando cheguei ao local de exibição de “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” (crítica em breve também) todos os assentos estavam ocupados, algumas pessoas já buscavam lugar na grama, outras de pé. Sentei-me na mureta de um canteiro, assisti ao filme (com um galho de árvore na minha frente tampando uma parte da tela) e ao mesmo tempo matei a bendita fome.

Não duvido que “A Festa da Menina Morta” seja um filme melhor, mas ver uma sessão de cinema com pessoas sentadas nos capôs dos carros, em cima das árvores, nas mesas dos bares... Todos acompanhando um documentário foi uma experiência diferente. Gente dançando, gente cantando, gente bebendo. Tudo combinando perfeitamente com o espírito da banda. No fim, aquilo me pareceu mais um show do que uma projeção cinematográfica. Ainda bem, porque, enquanto documentário, “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” deixa muito a desejar, mas quando o assunto é a música sou fã do grupo. E música é o não que falta no filme.
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