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Promessas de ano novo

Como nos últimos dois anos, eu preparei uma extensa lista com os filmes que considero como "promessas" para 2012. Você encontrará de tudo aí embaixo. A ideia não é exatamente relacionar os filmes que considero ter potencial para entrar numa lista de melhores no fim do ano, mas, sim, filmes que eu certamente farei questão de assistir, pelas mais diversas razões, não importando, a princípio, se é um trabalho de um diretor consagrado ou fracassado (isto será um critério eliminatório, eu diria, no caso de ter de optar por ver ou não determinado filme). Alguma ou outra coisa deve ter ficado de fora, então, é provável que eu acrescente alguns títulos à lista nos próximos dias. 

Um lembrete: há filmes aí que já foram exibidos em festivais no ano passado, mas não foram lançados comercialmente, e alguns que já estrearam em circuito fora do Brasil. Outro lembrete: dos filmes que já possuem data de lançamento no país, considerei apenas aqueles com previsão a partir de março.

Os links levam para a página de cada título no IMDb ou sites oficiais, para mais informações.

007 - SKYFALL, Sam Mendes

360, Fernando Meirelles

4:44 LAST DAY ON EARTH, Abel Ferrara

À BEIRA DO CAMINHO, Breno Silveira

À TODA PROVA, Steven Soderbergh

O ABISMO PRATEADO, Karim Aïnouz

AMOUR, Michael Haneke

ÁREA Q., Gerson Sanginitto

ARGO, Ben Affleck

BAIT, Paul Schrader

BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE, Christopher Nolan

BEIJE-ME OUTRA VEZ, Gabriele Muccino

BILLI PIG, José Eduardo Belmonte

BROKEN CITY, Allen Hughes

BULLET TO THE HEAD, Walter Hill

THE CABIN IN THE WOODS, Drew Goddard

A CADEIRA DO PAI, Luciano Moura

CAPTAIN PHILLIPS, Paul Greengrass

CARNAGE, Roman Polanski

CLOUD ATLAS, Andy e Lana Wachowski e Tom Tykwer

COGAN'S TRADE, Andrew Dominik

THE COLD LIGHT OF DAY, Mabrouk El Mechri

THE COMPANY YOU KEEP, Robert Redford

CORAÇÕES SUJOS, Vicente Amorim

O CORVO, James McTeigue

COSMÓPOLIS, David Cronenberg

DETONA RALPH, Rich Moore

DJANGO UNCHAINED, Quentin Tarantino

E AÍ, COMEU?, Felipe Joffily

ESPELHO, ESPELHO MEU, Tarsem Singh

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA, Marc Webb

EU RECEBERIA AS PIORES NOTÍCIAS DOS SEUS LINDOS LÁBIOS, Beto Brant e Renato Ciasca

FILME SEM TÍTULO DE TERRENCE MALICK, Terrence Malick

THE FIVE-YEAR ENGAGEMENT, Nicholas Stoller

FOXFIRE, Laurent Cantet

FRANKENWEENIE, Tim Burton

THE GANGSTER SQUAD, Ruben Fleischer

O GATO DO RABINO, Antoine Delesvaux, Joann Sfar

GEBO ET L'OMBRE, Manoel de Oliveira

A GLIMPSE INSIDE THE MIND OF CHARLIE SWAN III, Roman Coppola

THE GRANDMASTERS, Wong Kar Wai

O GRANDE GATSBY, Baz Luhrman

GRAVITY, Alfonso Cuarón

HE LOVES ME, Jonathan Dayton e Valerie Faris

HELENO, José Henrique Fonseca

O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA, Peter Jackson

HOTEL TRANSILVÂNIA, Genndy Tartakovsky

HYDE PARK ON HUDSON, Roger Michell

A IGREJA DO DIABO, Manoel de Oliveira

IMOGENE, Robert Pulcini e Shari Springer Berman

INSIDE LLEWYN DAVIS, Ethan e Joel Coen

INTO THE ABYSS / DEATH ROW, Werner Herzog

JAYNE MANSFIELD'S CAR, Billy Bob Thornton

JOHN CARTER, Andrew Stanton

JOVENS ADULTOS, Jason Reitman

KILL BIN LADEN, Kathryn Bigelow

KILLER JOE, William Friedkin

A LATE QUARTET, Yaron Zilberman

O LEGADO BOURNE, Tony Gilroy

LIFE OF PI, Ang Lee

LINCOLN, Steven Spielberg

LOOPER, Rian Johnson

LOWLIFE, James Gray

LUZ NAS TREVAS - A VOLTA DO BANDIDO DA LUZ VERMELHA, Helena Ignez e Ícaro Martins

THE MAN WITH THE IRON FISTS, RZA

THE MASTER, Paul Thomas Anderson

MEANWHILE, Hal Hartley

OS MERCENÁRIOS 2, Simon West

UM MÉTODO PERIGOSO, David Cronenberg

MOONRISE KINGDOM, Wes Anderson

MOVIE 43, vários

NERO FIDDLED, Woody Allen

NERVO CRANIANO ZERO, Paulo Biscaia Filho

ON THE ROAD, Walter Salles

PARAÍSOS ARTIFICIAIS, Marcos Prado

PARANORMAN, Chris Butler, Sam Fell

A PERSEGUIÇÃO, Joe Carnahan

PINA, Wim Wenders

PIRATAS PIRADOS!, Jeff Newitt e Peter Lord

A PLACE BEYOND THE PINES, Derek Cianfrance

PLAYING THE FIELD, Gabriele Muccino

POST TENEBRAS LUX, Carlos Reygadas

PROMETHEUS, Ridley Scott

QUARTET, Dustin Hoffman

RED HOOK SUMMER, Spike Lee

RED TAILS, Anthony Hemingway

ROCK OF AGES, Adam Shankman

SAVAGES, Oliver Stone

SETE DIAS COM MARILYN, Simon Curtis

SEVEN PSYCHOPATS, Martin McDonagh

SHADOW DANCER, James Marsh

SHAME, Steve McQueen

THE SILVER LININGS PLAYBOOK, David O. Russell

SMALL APARTMENTS, Jonas Åkerlund

O SOM AO REDOR, Kleber Mendonça Filho

SOMETHING IN THE AIR (APRÈS MAI), Olivier Assayas

SOMOS TÃO JOVENS, Antonio Carlos Fontoura

STOKER, Park Chan-wook

TABU, Miguel Gomes

THAT SUMMER (UN ÉTÉ BRÛLANT), Philippe Garrel

THIS IS 40, Judd Apatow

OS TRÊS PATETAS, Bobby e Peter Farrelly

TWIXT, Francis Ford Coppola

UNDER THE SKIN, Jonathan Glazer

VALENTE, Brenda Chapman e Mark Andrews

OS VINGADORES - THE AVENGERS, Joss Whedon

VOYAGE OF TIME, Terrence Malick

THE WE AND THE I, Michel Gondry

WETTEST COUNTY, John Hillcoat

WORLD WAR Z, Marc Forster

XINGU, Cao Hamburger
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Star Wars 3D


A volta dos filmes 3D aos cinemas está correspondendo às expectativas dos estúdios. Prova disso é que a oferta de lançamentos no formato já apresentou alta para 2012 em relação ao ano passado. De acordo com o boletim FILME B, além dos quatro filmes 3D que já entraram em cartaz em janeiro no país, mais 36 estão programados até o fim de dezembro. A soma já supera o total de 38 filmes 3D lançados em 2011.

Por um lado, o levantamento mostra que aumentou também o número de filmes realmente feitos em 3D, e não meramente convertidos para o formato – uma prática recorrente dos estúdios nos dois últimos anos. Por outro, temos uma ampliação também dos filmes antigos que estão sendo convertidos e relançados nos cinemas. Já tivemos “A Bela e a Fera” recentemente, seguindo o exemplo de “O Rei Leão”, e, agora, temos “Star Wars: Episódio I”, que será seguido por “Titanic” e “Procurando Nemo” nos próximos meses.

Sem dúvida, o relançamento de grandes sucessos representa uma oportunidade para quem conheceu os filmes na TV poder revê-los na telona do cinema. No entanto, essas pessoas verão uma versão adulterada, já que esses filmes não foram feitos para serem vistos em 3D em primeiro lugar. Trata-se, portanto, apenas de uma estratégia caça-níqueis dos estúdios.

Se o 3D de "O Rei Leão" já havia mostrado a grande picaretagem da estratégia (sem falar na incoerência artística, uma vez que trata-se de uma animação tradicional), o 3D de “Star Wars: Episódio I” não fica atrás. Não dá nem para usar o termo "decepção", porque, afinal, nunca houve algo bom de se esperar disso. No entanto, o trabalho feito pela Lucasfilm se mostra tão preguiçoso, que até cenas em que 99,9% dos elementos foram feitos com CGI não oferecem sensação de profundidade alguma.

O melhor teste para identificar uma conversão 3D mal feita é tirar os óculos 3D por alguns segundos. Faça isso com "Star Wars" e perceba como há cenas totalmente planas. O que a Lucasfilm fez, basicamente, foi apenas "recortar" os planos de modo a colocá-los um atrás do outro, quase num sentido literal mesmo de três dimensões: você tem, por exemplo, dois personagens conversando na frente; logo atrás, estão outras pessoas que os acompanham; e, por fim, temos o fundo. Outra situação: em uma casa, vemos, no primeiro plano, o arco de passagem de um aposento para outro; no segundo, estão os personagens em pé; e, no terceiro, estão os objetos de uma prateleira e um armário encostados na parede.

Num filme 3D genuíno, essa lógica seria a mesma, com a grande diferença de que você não conseguiria enxergar a separação entre as três dimensões. Elas seriam apresentadas de maneira mais natural, pois a ideia é fazer com que você veja (ou sinta que está vendo) o que está na tela da mesma forma como você vê as coisas que estão na sua frente, no dia a dia. Já em "Star Wars" e outros filmes convertidos, a sensação que temos é mais parecida com esta:





Acredito que os episódios II e III poderão se beneficiar um pouco mais da conversão porque foram todos filmados em digital ("A Ameaça Fantasma" foi feito em 35mm). Mas imagine a trilogia clássica? Teremos provavelmente esse mesmo efeito de livro pop-up ainda mais evidenciado.

A ideia de George Lucas é relançar os seis episódios de “Star Wars” em 3D, um a cada ano. Tudo bem que já se passaram mais de 10 anos desde que “Episódio I” estreou nos cinemas e muitas crianças não tiveram a chance de ver o filme no cinema. Então, por que não relançar apenas, sem a conversão em 3D? A resposta é simples: os ingressos das salas 3D são mais caros. Portanto, as chances de lucro extra são automaticamente maximizadas. Sem falar que "O Retorno de Jedi" chegará às telas em 3D em 2017 - exatamente no ano em que o filme original completa 40 anos e, certamente, haverá o lançamento de um novo box de Blu-rays, agora com as versões 3D.

Tomara que diretores como Martin Scorsese, Ridley Scott, Ang Lee, Peter Jackson e Alfonso Cuarón, que decidiram fazer filmes em 3D genuíno, mostrem que o formato é mais que uma mera desculpa para fazer dinheiro fácil. De outra forma, estaremos sempre nesse círculo vicioso de relançamentos que os estúdios não farão questão nenhuma de interromper.
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A importância de X-Men para o futuro da Marvel


A franquia “X-Men” parece cumprir uma função essencial no departamento de cinema da Marvel. O primeiro filme, dirigido por Bryan Singer e lançado em 2000, praticamente abriu as portas para a tradicional empresa de quadrinhos se aventurar nas telas grandes e construir o seu império cinematográfico. Não foi o primeiro a chegar aos cinemas (“Blade” e “Howard, The Duck” foram lançados antes), mas certamente foi a primeiro a se associar com mais força à marca Marvel e levá-la para um público mais expressivo em números.

Depois de “X-Men”, vieram “Homem-Aranha”, “Homem de Ferro”, “Hulk”, “Demolidor”, “Thor” e outros.  A chegada de "X-Men" nos cinemas é resultado de uma co-produção entre Marvel e Fox. Seu sucesso abriu as portas para outros estúdios se associarem à Marvel ("Homem-Aranha, "Demolidor") e a própria Marvel passar a produzir no cinema sozinha ("Homem de Ferro", "Thor", "Hulk"), através da Marvel Studios

Hoje, a marca é reconhecida e aparentemente estável no audiovisual. Aparentemente porque o grande problema de uma marca que cresce e ganha dinheiro demais é sacrificar uma visão empreendedora , sem riscos, e passar a repetir os mesmos passos que a fez juntar seus milhões.

Apesar de ser uma das primeiras franquias da Marvel a chegar aos cinemas, “X-Men” não é a mais rica. Enquanto os filmes da trilogia mutante nunca ultrapassaram a barreira de US$ 500 milhões nas bilheterias, os longas do “Homem-Aranha” chegaram ao redor dos US$ 800 milhões. Não que US$ 500 milhões sejam ruins, mas já que dá para fazer 800, por que não aproveitar? O que se viu, então, foi a consagração de “Homem-Aranha” como o produto “Marvel” e a subsequente repetição de sua narrativa.

O homem imaturo que se vê em uma realidade diferente, causadora de seu amadurecimento. Há o interesse amoroso, com a função de levar o filme para o romance e, algumas vezes, comédia romântica. Não é assim nos carros-chefe da Marvel Studios ? “Homem de Ferro”, “Thor” e “O Incrível Hulk”? Não é essa a impressão dada pelo trailer de “Capitão América”? Não ficamos sentados no cinema até o fim dos créditos pois sabemos que um produto Marvel tem sempre uma surpresinha final? É fácil identificar filmes da Marvel, além de seus heróis. E funcionam, certo? “Homem de Ferro” continuou a trajetória de lucros, assim como “Thor”. E, acima de tudo, são filmes divertidos.

Porém, a cada filme, a receita narrativa fica mais clara e a falta de frescor cada vez mais identificável. Certamente trata-se de uma tendência que pode condenar o “produto Marvel”. Afinal, “Homem de Ferro” lucra, mas não chega aos pés do fenômeno que foi o último “Batman”, da DC Comics e totalmente alheio ao estereótipo dos filmes de heróis. “Thor” lucra, mas sua arrecadação é menor que a de “Velozes e Furiosos 5”, o quinto filme de uma franquia que nem é tão tradicional assim.

É nesse cenário que surge “X-Men: Primeira Classe”, um novo filme e recomeço da franquia. Remonta as origens do grupo de mutantes, através das histórias do Professor Xavier e Magneto que, em um dado momento, se cruzam. Cada um deles lida com seu gene mutante da forma que a vida lhes reservou. Eric Lensherr viu a mãe morrer na sua frente e foi explorado por seus poderes mutantes. Charles Xavier teve uma vida rica financeiramente e, por isso, cheia de possibilidades, dentre elas, estudar a sua própria característica excepcional. O primeiro vê um mundo hostil aos mutantes, de impossível melhora, já que humanos, cegos em seus preconceitos, nunca conseguiriam absorver a ideia de poderes extraordinários. Xavier também percebe esse mundo hostil, mas acredita que existe esperança, que é possível a convivência pacífica entre humanos e mutantes. Apesar dos pensamentos distintos, Eric e Xavier se se tornam amigos em um primeiro momento, unidos pela causa mutante.

Daí surgem as diferenças entre “X-Men” e outros longas da Marvel os "produtos puros" da Marvel Studios. “X-Men” não é um filme sobre um personagem específico, não existe um protagonista propriamente dito. É um filme sobre um tema: a aceitação. Mas não a aceitação de mutantes por humanos, humanos por mutantes ou mutantes por outros mutantes. Essa foi a questão tratada nos filmes anteriores. Em “Primeira Classe” o mote é a aceitação dos mutantes por eles mesmos e, a partir do momento que ela ocorre, cada um lida com a própria existência e o mundo ao redor - que a influencia, de uma forma particular. Por isso, não dá para dizer que Magneto ou Xavier sejam os protagonistas do longa. O verdadeiro protagonista, se é para achar um, é a relação entre eles. É ela que, ao longo do filme, percorre um trajetória de mudança e provoca as mudanças nos caminhos de outros personagens.

Por isso que, se alguns personagens parecem rasos ou pouco dimensionais, é porque eles estão a serviço de um tema maior. Afinal, são muitas figuras que desfilam em “X-Men: Primeira Classe” e quase todas elas tem uma certa profundidade, ou seja, não são enfeites, como era a Mística e a Tempestade nos filmes anteriores. A Mística aqui, interpretada com talento por Jennifer Lawrence, é uma personagem atormentada por sua aparência, incomodada por não poder (ou conseguir) assumir o seu verdadeiro eu, por mais que queira. Toda a sua trajetória é reflexo do que sente.

Através de interessantes soluções visuais, alguns personagens menores conseguem ir além de adornos narrativos e complementam a história de uma forma mais consistente. Em uma única sequência, já conseguimos perceber que a mutante Angel Salvadore é uma menina desconfiada que, provavelmente, foi muito explorada na vida e que Havok é uma espécie de atrevido de bom coração. Claro que não se tratam de soluções geniais, mas são necessárias para o tema maior e, mais importante, são eficazes.

É esperado, portanto, que com tanto personagens, o roteiro de Matthew Vaughn, Jane Goldman, Zack Stentz e Ashley Miller não tivesse uma profundidade almodovariana para cada um. E, claro, não se trata de algo perfeito. Poderia ser um pouco maior. Talvez, se a história fosse concebida como uma trilogia, o resultado seria mais satisfatório em termos narrativos. Há alguns momentos um pouco encavalados aqui e ali, para deixar claro o que está se passando no interior dos personagens. Mas, o fato é que funciona para a construção do todo, da jornada dessa relação entre Magneto e Xavier e seus reflexos. Acreditamos na escolha de cada personagem, porque eles foram minimamente trabalhados nos minutos anteriores. O diretor Matthew Vaughn também fez uma ótima escolha ao colocar cenas reais da época do longa, como os pronunciamentos de John Kennedy (o filme é ambientado na década de 60, no auge da Guerra Fria).


Não há em “X-Men: Primeira Classe” um ingrediente claro que remeta ao “produto Marvel”. A narrativa é diferente. Aliás, assim como “Batman”, nem parece um filme de super-heróis. Está mais para um thriller com personagens mutantes.

Daí voltamos à importância da série “X-Men”. Ao sair da sala, me informaram que há uma preocupação na bilheteria de “X-Men: Primeira Classe”. Afinal, a divulgação realmente não está das melhores. E, como já comentado, a narrativa difere de outras de super-heróis por aí. Mas, por mais que a publicidade do longa merecesse um esforço maior, talvez seja um filme com a função de teste.

É uma suposição baseada em dados não confirmados, na verdade. Não consegui encontrar números oficiais, mas rumores da web dizem que o orçamento de “X-Men: Primeira Classe” foi de US$ 80 milhões. Não é confirmado, mas tudo indica que não foi orçamento mais polpudo de todos os tempos, até mesmo pelo próprio desgaste da franquia nos cinemas e pela escolha de Vaughn, um cara que já provou fazer coisas muito bacanas com pouco dinheiro (“Kick-Ass” custou US$ 50 milhões).

O fato é que o primeiro “Homem de Ferro” custou US$ 140 milhões, o segundo ficou na casa dos US$ 200 milhões, “Thor” foi realizado com US$ 150 milhões e, no fim das contas, são filmes muito parecidos. Como disse, são divertidos, mas um dia cansa. O próprio Vaughn deu algumas declarações ao jornal Los Angeles Times, indicativas do particular estado dos filmes de super-heróis. Segundo ele, ao explicar por que aceitou fazer o filme, o gênero não dura por muito mais tempo.

“Está com hora marcada e em alguns casos o controle de qualidade não é o que deveria ser. As pessoas estão ficando cansadas. (...) Sempre quis fazer um filme de super-heróis de alto orçamento e acho que ultrapassamos o Rubicon (Vaugh usa a palavra Rubicon no sentido de ‘caminho sem volta’) em relação aos filmes de super-heróis. Acho que a oportunidade de dirigir um ocorrerá mais duas ou três vezes. Depois, o gênero vai morrer por um tempo pois o público já o engoliu demais. É um campo cheio. Cheio demais.”

Pode parecer pessimista, mas é um panorama que parece se formar por motivos já expostos. É claro, portanto, que Vaughn não faria o mesmo filme de sempre. E, possivelmente, a Marvel a Fox, ao escalá-lo, não estivesse esperando o mesmo filme de sempre. Afinal, ele foi selecionado pela própria empresa para dirigir “X-Men: O Confronto Final”, antes de cair nas mãos de Brett Ratner. Em entrevista ao jornal Daily Telegraph, antes de ser escalado para realizar “X-Men: Primeira Classe”, Vaughn revelou porque decidiu abdicar da direção do longa anterior.

“Não tive tempo para realizar o filme que gostaria. Tinha uma visão sobre como deveria ser e queria ter a certeza de que estava fazendo um filme tão bom quanto ‘X-Men 2’. Sabia que não iria acontecer e vi que não era a coisa certa para mim. Foi uma decisão difícil, porque era uma puta oportunidade. Mas estava tentando construir uma carreira como diretor e não queria ser conhecido como ‘o cara que fez o filme ruim dos X-Men’.”

Daí a Marvel Fox vem e o chama para dirigir “X-Men: Primeira Classe”? Tem coisa aí, certo?  

Temos, então, um diretor que consegue fazer obras muito divertidas com pouco grana e com frescor. Dessa forma, “X-Men: Primeira Classe” é um filme com poucas cenas de ação e efeitos especiais menos espetaculares. Mas nunca é menos envolvente. Até mais, pois, aqui, nos importamos muito com seus personagens e o perigo parece real.

Além disso, “X-Men” é uma franquia que permite um risco com segurança. Primeiro porque não estamos falando de algo totalmente desconhecido pelo público. A série é notória e só o nome “X-Men” já chama a atenção. A forma como a história é desenvolvida desde sempre já diferencia da de outros personagens da Marvel. Enquanto “Thor”, “Homem de Ferro” e “Homem-Aranha” são personagens marcantes, a força de “X-Men”, por maior que seja o carisma de Wolverine, está no grupo. Dessa forma, as narrativas dos filmes são naturalmente diferenciadas. E o fato de "X-Men" ser  um produto híbrido, co-produção da Marvel com a Fox,  explica algumas soluções criativas diferentes das do produto Marvel "puro".

Por mais que Vaughn fale da morte dos filmes de super-heróis, acredito que ele estava muito consciente da importância dos mutantes para o gênero. Posso estar sendo extremamente otimista ao falar isso, mas talvez o seu filme abra  os olhos da Marvel Studios para um novo ângulo de narrativa ou ajude a criar uma ideia no público de que os longas de super-heróis ainda podem surpreender. Afinal, a Marvel é uma empresa e como toda grande empresa, vez ou outra, é preciso arriscar. O público muda e se cansa, e apostar eternamente em uma mesma fórmula é um dos grandes erros e razão da morte de muitas empresas.

Enfim, enquanto existir alguém disposto a recriar e reinventar a franquia do “X-Men”, os super-heróis cinematográficos respiram mais aliviados.

ATUALIZAÇÃO 04/06 12:28: O leitor Alexandre Luiz, nos comentários, disse algo de extrema importância que deixei passar na primeira versão do texto. "X-Men: Primeira Classe"é uma co-produção Marvel e Fox e a segunda toma boa parte das decisões. Há algumas correções (e elas estão destacadas) e novas informações no artigo em função disso. 
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Trailers da semana: Tintin, 3D e bichos falantes


Jim Carrey com data de validade vencida em cena do trailer de "Mr. Popper's Penguins", comédia que vai se chamar "Os Pinguins do Papai" no Brasil.

AS AVENTURAS DE TINTIN


A versão cinematográfica de Tintin tem muitos motivos para chamar a atenção. Steven Spielberg. Peter Jackson. A promessa de ser um verdadeiro evento 3D. E o próprio Tintin, ora bolas! Qual impressiona mais? Difícil dizer. Então a ideia é destacar tudo.

O trailer deixa muito claro o envolvimento de Spielberg e Peter Jackson. Também dá a impressão que será uma aventura para toda a família. Mas não aquele tipo de "filme para toda a família" que só é chamado assim por não ter palavrões, cenas de sexo ou violência gráfica. Mostra se tratar de um estilo de aventura atemporal, coisa que Jackson e Spielberg são mestres. Só isso já atrai um bocado de gente. Mas ainda há uma surpresinha para quem realmente assistiu à animação: Tintin aparece por um breve momento. Daí fãs poderão falar se ficou legal ou não, o que gera discussão e sempre é bom.

A única coisa que me preocupou foi o 3D. Até mais da metade do trailer, não estava convencido de que a tecnologia era realmente necessária e, de certa forma, os personagens limpinhos demais estavam me incomodando. Porém, depois da cena do mar invadindo a areia, fui quase totalmente seduzido. A prévia talvez poderia empolgar mais. Mas se trata de um teaser, um aperitivo. E muito bem feito: em um minuto foram dadas todas as informações essenciais.


LANTERNA VERDE - Trailer 3D


Antes de assistir à prévia, é preciso salientar que lançar um trailer 3D na internet é um típico caso de publicidade caça-níquel sem conteúdo. Afinal, ninguém vai conseguir aproveitar a experiência tridimensional do filme pela tela do computador. Será que os produtores ainda acham que o rótulo 3D é a chamada definitiva para o lucro?  Ninguém aprendeu nada com "Mars Needs Moms" (um dos maiores fracassos da Disney, orçado em US$ 150 milhões, tendo arrecadado apenas US$ 36 milhões e causa de um movimento de pais que não aguentam mais pagar caro em ingresso 3D para ver filme ruim). Dito isto, vamos ao trailer:


O esforço para deixar claro que o 3D de "Lanterna Verde" vale a pena é tocante. O super-herói aqui é mero detalhe. O negócio é mostrar o máximo de uma nova Pandora, um mundo surreal, produzido totalmente por efeitos especiais, como estilo próprio. Mas, o assunto do parágrafo anterior sempre retorna: quando vai chegar a hora dos produtores perceberem que 3D não é tudo?

TRANFORMERS 3 - Trailer 3D

Todo a introdução que escrevi sobre o trailer de "Lanterna Verde"cabe aqui também.


A prévia 3D de "Transformers 3" funciona melhor que a de "Lanterna Verde" justamente por não fazer um esforço tão óbvio para provar a qualidade de sua tecnologia. A de "Lanterna Verde" praticamente mudou todo o conceito dos trailers anteriores apenas para mostrar seu 3D. A de "Transformers" continuou na mesma linha dos outros. E um vídeo 3D que tem espaço para Frances McDormand sempre ganha pontos. 

É bacana notar como os trailers de "Transformers" trabalham com um tipo de tensão bem "spielberguiana", o medo do desconhecido, a surpresa da descoberta. Enfim, essa turma de "Transformers" é mestre em produzir expectativa. Ainda bem que já sou vacinado.

MR. POPPERS PENGUINS



Só um comentário um pouco fora de contexto: sempre tenho a impressão de que quando um ator aceita fazer um filme com bichinhos engraçadinhos em CGI é porque a carreira não vai lá muito bem.

Voltando à programação normal. Quase todo trailer de filmes com bichos é sempre muito bem feito. Os animais são normalmente simpáticos e bonitinhos, o que ajuda a segurar uma prévia de dois minutos. Mas, como já disse no texto sobre "Rio", isso não é o suficiente para carregar um filme.  O trailer de "Mr. Poppers Penguins" consegue ser ruim já nesta fase. Isso porque já assume uma história pobre e focaliza apenas nas caretas de Jim Carrey. E, convenhamos, já foi o tempo que as expressões faciais de Carrey são sinônimo de diferencial.

GOOD NEIGHBORS







Primeiro, foco para a péssima narração. Já estava prevendo um "hoje, logo após o Zorra Total, em Supercine". Mas a culpa não é só da locução. O trailer é um grande esforço para nos fazer pensar que "Good Neighbors" é um thriller padrão.

A premissa não é das piores: três vizinhos de apartamento se aproximam, atraídos por suas aflições referentes à violência. Mas, mal sabem eles, o perigo está dentro do prédio.
Tem tudo para virar um suspense bocó e o trailer dá a entender que este foi o lado escolhido. E, pior, todo mundo já sabe que o personagem de Scott Speedman será o grande vilão ou será o injustiçado que todo mundo vai pensar ser o vilão.
O grande problema de prévias que entregam um suspense padrão é que, no fim das contas, todo mundo sabe o que acontece. E será que alguém vai querer gastar 14 reais com isso?


O ZELADOR ANIMAL


O zelador bonachão e simpático de um zoológico ama seu trabalho. Sua namorada loira e patricinha acha o emprego ridículo e diz que só casará se ele pedir demissão. O zelador resolve atender o pedido da futura esposa. Mas seus amigos acham que ele está prestes a cometer o maior erro da sua vida se abandonar a profissão que ama, e decidem ajudar o zelador a conquistá-la sem ter que sacrificar o emprego. Nesse meio tempo, há uma colega de trabalho bonita, simples e simpática que se importa com ele. Já sabemos que, no fim das contas, ele continuará a trabalhar no zoológico, mostrará que não precisa da namorada loira e patricinha e vai ficar com a bonita, simples e simpática. OK, por que você veria este filme, já que conhece toda a história? A resposta está no trailer:



Os produtores de "O Zelador Animal" esperam que você o assista porque os amigos intrometidos do zelador são os próprios bichos do zoológico.  Apenas isso. Afinal, o trailer não é lá muito engraçado e só explora piadas antigas, recontadas milhares de vezes. E, sim, a grande atração é um leão com a voz do Stallone. É o suficiente? Acho que não.
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Lars von Trier, o maior vencedor de Cannes


Lars von Trier sempre foi um sujeito polêmico, muito mais do que um bom cineasta. Sim, ele faz filmes provocantes e gosto muito de alguns deles, como "Dogville", "Dançando no Escuro" e "Ondas do Destino". Pelo que se ouviu e se leu a respeito de seu mais novo trabalho em Cannes, "Melancolia" tem tudo para ser mais um grande filme do dinamarquês. Mas mesmo antes de ser premiado (ganhou Melhor Atriz, para Kirsten Dunst, em Cannes) ou chegar ao circuito (previsto para 5 de agosto no Brasil), o filme já é mais conhecido como aquele que levou o cineasta a ser banido do festival.

Golpe publicitário ou apenas uma brincadeira de mau gosto, o fato é que von Trier conseguiu o que sempre procura quando aparece na frente dos repórteres: virar manchete. O problema é que desta vez ele pegou muito pesado na ironia e grande parte da imprensa, já intolerante com gafes de celebridades e com o próprio senso de humor bizarro do diretor, encontrou em suas declarações um prato cheio.

Mas por mais que o cineasta tenha passado dos limites nas piadas sobre o nazismo e o holocausto, a reação dos organizadores de Cannes certamente foi exagerada. A decisão de banir von Trier do festival não passou de uma formalidade sem efeitos práticos, que no fundo serviu mais como um prêmio para o cineasta. Além disso, "Melancolia" continuou no páreo pela Palma de Ouro e dizem que o próprio banimento serviu apenas para este ano.

Mesmo se o cineasta não voltar a ser convidado para apresentar seus futuros trabalhos nas próximas edições de Cannes, outros festivais como os de Veneza ou Berlim certamente acolherão de braços abertos o controverso von Trier - que sempre chama a atenção (como se Cannes não soubesse disso), numa estranha competição que ele mesmo trava com seus próprios filmes.
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Trailers da semana: quando o cinema encontra a publicidade


Como publicitário, sou fascinado por trailers. E, por isso, resolvi comentar semanalmente as prévias lançadas. Não espere, entretanto, comentários sobre alguma produção baseados nestes filmetes de dois minutos. Comentarei sobre os trailers, tendo em vista o que eles são: uma poderosa peça publicária de uma campanha de marketing cinematográfico. Afinal, cinema precisa de espectadores e, seja para seduzir um público amplo ou um nicho específico, o trailer cumpre um papel essencial no mercado do audiovisual

STRAW DOGS, dirigido por Rod Lurie


Quando um trailer entrega o final do filme em sua primeira sequência, é sinal de que temos uma conclusão poderosa. O fato é que "Straw Dogs" é a refilmagem "Sob o Domínio do Mal" ""Sob o Domínio do Medo", um controverso clássico de Sam Peckinpah, controverso justamente por sua catarse final. É um longa conhecido e suas cenas derradeiras mais ainda. O trailer do remake, dessa forma, não trabalha a conclusão como uma surpresa e, sim, como o grande atrativo, o motivo para ser assistido. A pergunta é: como ela se dará? Através de uma narrativa consistente que conduzirá de forma satisfatória ao epílogo? Ou o desfecho é a única coisa que segura? No caso do "Straw Dogs" de Peckinpah, a primeira situação é a mais apropriada. Qual será a de Rod Lurie, diretor da refilmagem? Lurie é competente o suficiente para não estragar um projeto, mas padrão demais para injetar algum tipo de personalidade.


A HORA DO ESPANTO, dirigido por Craig Gillespie


Não importa ter Colin Farrell, Toni Collete, Anton Yelchin e Christopher Mintz-Plasse no elenco. Muito menos ser dirigido por Craig Gillespie, realizador do bacaníssimo "Lars and The Real Girl". É um filme de vampiro, e só isso basta. Sou só eu ou é uma interpretação possível para este trailer? Trata-se também de uma refilmagem, menos arriscada se comparada à "Straw Dogs", entretanto. Afinal, "Hora do Espanto" é ótimo, mas é isso, apenas um filmaço muito divertido. Não existe uma assinatura de Sam Peckinpah que torna qualquer refilmagem um pouco duvidosa. A falta de identificação do trailer é estranha. No começo, parece tratar de uma comédia, depois passa para um pesado terror e finaliza como um movimentado longa de ação.


QUERO MATAR MEU CHEFE (HORRIBLE BOSSES), dirigido por Seth Gordon


Taí um exemplo de trailer bem-sucedido, "publicitariamente" falando. A história está clara (três amigos querem matar seus respectivos chefes), o tom está claro, os personagens estão claros. É interessante como o trailer mostra como um trunfo o uso de atores famosos (Kevin Spacey, Jennifer Aniston e Colin Farrell) em papéis inesperados. Mas também há espaço para rostos menos conhecidos (não tanto o caso de Jason Bateman, mas de Charlie Day e Jason Sudeikis). Mostra que existe um respeito pela comédia. O trailer deixa claro a utilização de uma fórmula de sucesso em um novo contexto, ou seja, a história dos "três amigos em uma encrenca", muito bem usada em "Se Beber, Não Case!", volta aqui com doses mais altas de humor negro. Quem já teve acesso ao roteiro, fala que é uma comédia promissora. E que o personagem de Jamie Foxx seria um dos mais hilários. A sua curta aparição na prévia não deixa de ser estranha.

MICHAEL, dirigido por Markus Schlenzer


Filmes, sejam de arte ou blockbusters, estão aí para serem assistidos. Óbvio que um buscará atrair o máximo possível de espectadores. O outro tentará fisgar um nicho mais específico de público. E, com isso, a forma de publicidade através do trailer é diferenciada. O de "Michael" é o caso de um trailer poderosíssimo que, como era de se esperar, foge completamente dos padrões hollywoodianos de marketing cinematográfico. Enquanto as prévias de filmes pipoca trabalham com o peso de seus protagonistas, sequências aceleradas, edição desenfreada e temas da moda, o de "Michael" trabalha com a sensação. É um filme austríaco que está em Cannes e tem a pedofilia como o tema central. A prévia nunca deixa o assunto muito claro, mas a sensação de "alguma coisa está errada" se torna constante a partir do segundo 50, quando a cortina é fechada. Daí, inicia uma série de sugestões que tornam o clima tenso (a arrumação da mesa e os diferentes copos utilizados é uma solução audiovisual muito eficaz). O poder da sugestão, entretanto, pode diminuir em duas horas de filme se não existir uma narrativa consistente que o sustente. Mas, enfim, é um trailer, como disse, poderoso.

É o longa de estreia de Markus Schlenzer, um veterano diretor de elenco, colaborador do genial Michael Haneke.

THE CHANGE-UP, dirigido por David Dobkin


O tema da comédia "The Change-Up" é mais batido do que uma continuação de "Jogos Mortais". Personagens de personalidades diferentes trocam de corpo e um é obrigado a viver a vida do outro. O tema apenas não atrairia muita gente. Portanto, o trailer trabalha com o pedigree da proução: é do diretor de "Penetras Bons de Bico" e dos roteiristas de "Se Beber, Não Case!". Isso, na cabeça dos produtores, seria garantia de boa comédia e o suficiente para fascinar o público. Pode até ser. Mas o trailer peca em não deixar clara a alma do negócio. Um dos grandes trunfos desse tipo de comédia são as atuações. "Se Eu Fosse Você" é um filme cheio de problemas, mas funciona porque é engraçado ver Tony Ramos com tiques femininos e Glórias Pires dando uma de machão. "Sexta-Feira Muito Louca" é um filme acima da média pelo ótimo trabalho de Jamie Lee Curtis na personalidade da personagem de Lindsay Lohan. No trailer de "The Change-Up", a troca de corpos só é identificada por questões externas às interpretações. O que tira muito do charme.

THE FUTURE, dirigido por Miranda July



O trailer de "The Future", segundo longa da artista Miranda July, se parece com o trailer de um filme de Miranda July. Parece óbvia a constatação, mas uma das peculiaridades de um trailer, que o diferencia da propaganda comum de intervalos comerciais da TV, é o fato de ser uma narrativa de dois minutos construída a partir da desconstrução e posterior reconstrução de uma narrativa de duas horas e meia. Ou seja, é preciso apresentar o filme, mas aumentar a dose de sedução para atrair o público em potencial. Dessa forma, nem sempre a prévia é completamente fiel ao longa completo. Quantas vezes você já viu um trailer que lhe deu a impressão de ser o filme mais sensacional de todos os tempos, mas, no fim das contas, é uma decepção? O trailer de "The Future" não te engana por nenhum momento: vende um filme de Miranda July. July é uma artista de diversas plataformas que discursa, principalmente, a conexão. Seu primeiro filme, "Eu, Você e Todos Nós", impressionou muita gente e já deixou clara sua assinatura como cineasta, o que não é pouca coisa. Tem quem não goste e o trailer de "The Future" definitivamente não é para eles. É a história de um casal (July e Hamish Linkater) que resgata um gato e resolve adotá-lo. Porém, o bichano precisa ficar um mês no veterinário para vacinas e outros cuidados. É o tempo para cair e ficha e eles perceberem que suas vidas vão mudar com a responsabilidade que terão quando o gato for liberado. Ah, ponto importante: o filme é narrado pelo próprio gato.

LA PIEL QUE HABITO, dirigido por Pedro Almodóvar


Assim como o trailer de "The Future", o de "La Piel que Habito" tenta seduzir através de sua assinatura: é um filme de Pedro Almodóvar. Mas há um detalhe a mais. Diferente de July, Almodóvar é cineasta há mais de 30 anos. Sua obra já foi pesquisada e discutida. O diretor espanhol transita por todos os gêneros sem se apegar às regras. Existe uma profundidade almodovariana em suas tentativas de brincar, questionar ou discutir o gênero. Temos no teaser de "La Piel Que Habito", então, uma sensação de que uma obra voltada para o bizarro está por vir. Desde a imagem de um corpo feminino deitado e enfaixado até a mesma mulher mascarada que ameaça se matar e terminar com o brinquedo do personagem interpretado por Antonio Banderas. Então, se no trailer de "The Future" existe a assinatura de July, mas sem surpresas para quem espera um filme de Miranda July, no teaser de "La Piel Que Habito" identifica-se o universo almodovariano, mas existe um twist, que o torna muito interessante.

CARROS 2, dirigido por John Lasseter e Brad Lewis


Uma matéria da revista New Yorker levanta a seguinte questão: ninguém vai mais ao cinema por causa do estúdio. Eu não vou assistir um filme por ser da MGM ou da FOX. O único com esse poder de atração é a Pixar. Dessa forma, "Carros 2" é muito bem identificado como um filme da Pixar e da Disney, outro nome que chama a atenção. Eu, particularmente, não gosto do trailer, mas o entendo. Começa bem, com uma brincadeira com os filmes de espionagem, depois segue para uma sequência de cenas engraçadinhas ou aceleradas e não dá muita informação sobre o que se trata. E, normalmente, os filmes da Pixar são superiores por lidar com temas densos e poderosos de uma forma acessível e divertida. Acredito ser este o caso também. Talvez não fosse possível passar tal abordagem em um trailer. E no fim das contas, o nome Pixar já fala por si só. E o fato de todos já conhecerem os personagens ajuda a falta de um enredo identificável.

GIGANTES DE AÇO, dirigido por Shawn Levy


Um filme sobre esportes quase sempre, no cinemão hollywoodiano, significa chegar a níves estratosféricos de previsibilidade. Porém, para o público que deseja atingir o trailer de "Gigantes de Aço" é quase infalível. É a história de um lutador de boxe que cai no ostracismo quando robôs passam a substituir humanos no esporte. O filho, fascinado pelo pai e sua trajetória no esporte, pressiona-o a ensiná-lo. Iniciam uma saga para treinar um robô mais modesto, porém, claro, com um grande coração. Enfim, aquela coisa que a gente já sabe no que vai dar. O trailer deixa muito clara a mistura entre "Rocky" e "Transformers". Estão lá as cenas de ação, os efeitos especiais, a criança espertona, o filme de superação, todos os ingredientes de um filme família bem-sucedido nas bilheterias. A previsibilidade do longa é jogada na nossa cara. Mas possivelmente quem vai assistí-lo não espera ser surpreendido. A confiança no filme é grande, afinal, a Dreamworks já encomendou uma continuação.

PREMONIÇÃO 5, dirigido por Steven Quale


Mortes criativas. Ponto final. É tudo que precisamos saber. Daí, você vê se vale a pena gastar dinheiro com isso.
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Os Rios de Hollywood


Parkour na favela.

Que o Rio de Janeiro tem se tornado cenário cada vez mais freqüente para filmes hollywoodianos todo mundo já sabe. Somente neste ano, três grandes lançamentos do cinema americano tem histórias ou algumas cenas que se passam na capital fluminense. O primeiro foi a animação “Rio”. Também teremos, no final do ano, o novo filme da saga "Crepúsculo", “Amanhecer”. E chega agora aos cinemas “Velozes e Furiosos 5”.

É interessante notar como o Rio de Janeiro é retratado nesses longas-metragens estrangeiros. A cidade aparece de formas substancialmente diferentes nessas mega-produções, mas em todas o Rio é praticamente uma cidade fictícia, um sonho, uma fantasia de Hollywood. Enquanto na animação “Rio” temos uma cidade maravilhosa, romântica e poética, em “Velozes e Furiosos 5” é o lado sujo que tem destaque. Além de vermos bandidos fugindo de policiais por cima de barracos na favela, o filme carrega na violência e ressalta o lado corrupto das autoridades.

Em resumo, o Rio de “Velozes e Furiosos 5” é semelhante ao Rio de “Tropa de Elite”, mas totalmente despido da abordagem social ou do debate político que o filme de José Padilha provoca. Temos na tela a noção exata do que é um filme de ação americano clássico, só que feito no Brasil (virtualmente, já que a maioria das cenas foi rodada em Porto Rico).


Arrastão.

A corrupção policial vista em “Velozes e Furiosos 5” não é um problema da nação, mas apenas uma motivação narrativa que leva os astros Vin Diesel e Paul Walker a enfrentar mais um inimigo, desta vez interpretado pelo ator português Joaquim de Almeida.

Mas não sejamos ingênuos: o fato de o Rio ser mostrado no filme como um lugar violento e cheio de policiais corruptos não é motivo para revolta contra Hollywood. “Velozes e Furiosos 5” é ficção pura e a forma como o Rio é retratado ali é tão absurda e fantasiosa como qualquer uma das impossíveis perseguições de carro que são apresentadas ao longo da projeção.

Apenas a título de memória, vale lembrar de pelo menos dois outros filmes recentes rodados no Rio: "O Incrível Hulk", que traz a cidade apenas como cenário para o começo da história, como um esconderijo não tão adequado para o Bruce Banner de Edward Norton (merece destaque, no entanto, os detalhes naturais do ambiente incorporados pela direção de arte, como no barraco onde Banner vive); e "Os Mercenários", de Sylvester Stallone, que foi parcialmente rodado no Rio e em Mangaratiba, mas apenas para usar as locações como "dublês" de um país latino fictício.

Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, a tendência é que mais e mais produções estrangeiras sejam rodadas no Rio a fim de atrair turismo e novos investimentos. Entre essas produções, estão um futuro projeto de Woody Allen e a compilação "Rio, Eu Te Amo", que terá cineastas brasileiros e de outros países filmando curtas sobre a cidade, tal como já foi feito com Paris e Nova York.


Vin Diesel ganha o dia: depois de comer poeira de asfalto, a recompensa - um cenário paradisíaco, uma bela mulher e duas super-máquinas.
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Bonitinho, mas...


Antes de qualquer coisa, assistamos a um curta de Scrat, o esquilo obcecado pela noz de "A Era do Gelo".


Este vídeo, "Gone Nutty", assim como a trilogia "A Era do Gelo", é dirigido por Carlos Saldanha, o bem-sucedido animador brasileiro, diretor de "Rio", ainda nos cinemas.

São inegáveis as qualidades de "Gone Nutty". É um vídeo divertidíssimo. As expressões faciais de Scrat parecem ter sido estudadas à exaustão, assim como seu design e seus movimentos. Scrat é aquele personagem azarado, para quem dá tudo errado. Suas manifestações físicas enquanto personagem formam um casamento perfeito com suas características internas. Enfim, é um achado.

Mas não existe uma história em "Gone Nutty" e em todos os outros vídeos de Scrat que você, provavelmente, já se cansou de ver. Trata-se apenas da mesma piada, repetida constantemente. Como o esquilo participa de curtas pequenos e vez ou outra aparece em trechos de "A Era do Gelo", o negócio funciona. O difícil seria sustentar um filme de 90 minutos com Scrat como protagonista.

Daí chegamos à "Rio" e ao que parece ser uma característica da obra de Saldanha na animação hollywoodiana. Existe um cuidado impressionante com cenários e personagens. Não vou nem falar sobre como o Rio de Janeiro foi concebido para a animação. Não dá para colocar em palavras. É lindo. E os personagens, todos eles, esbajam carisma. De Blu, a ararinha-azul protagonista, a Tulio, o ornitólogo brasileiro, todos são divertidos. E, assim como Scrat, o sucesso da concepção dos personagens de Saldanha vem de um cuidado profundo em vários aspectos. Design, conceito, expressões faciais, dubladores, personalidade e movimento do corpo.

O grande porém aqui é a história. Não que "Rio" não tenha uma história para contar. Como disse antes, são 90 minutos de filme, ter algo para dizer é obrigatório. Mas o esforço para o trabalho narrativo não chega aos pés do esforço para a concepção visual. Temos a velha história do "casal-que-se-odeia-mas-é-obrigado-a-ficar-junto". É fácil imaginar o final, mas o problema não é a previsibilidade da coisa. A questão é a falta de personalidade na história. O previsível é tratado de uma forma padrão.

Há em livros americanos sobre roteiro um esqueminha da narrativa, extremamente técnico. É mais ou menos assim: um filme de uma hora e meia deve ter em torno de X minutos de apresentação. Daí ocorre algum incidente que muda a direção da história e a leva para a fase na qual o personagem passa por diversos obstáculos e conflitos. Fica nessa por Z minutos até um novo ponto de virada conduzir a história para a resolução.

É um esquema que dá certo, quando utilizado com personalidade. O cinema está cheio de bons filmes esquemáticos. "Avatar" é um deles. A narrativa de "Avatar" já foi vista e revista milhares de vezes e a forma escolhida por James Cameron está longe de ser a mais charmosa das versões. Mas o visual do longa é tão estonteante, o mundo criado por Cameron é tão incrível e essencial para a história, que a eleva de uma forma substancial.

Já "Rio" tenta compensar o esquema com personagens charmosos. Ajuda demais. Não fosse o talento de Saldanha e da equipe da Blue Sky na construção de personagens, teríamos uma animação que não valeria a pena. Blu e sua turma elevam a história. Mas nós já vimos personagens carísmáticos uma porção de vezes e as piadinhas de "Rio" não são exatamente necessárias para a história. Estão lá, cumprem o papel de fazer graça, mas não são essenciais e não agregam à construção da narrativa.

"Rio" é, portanto, divertidinho. E "Avatar" é um filmaço. Essa é a diferença.
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Como ser um roteirista da Marvel



1) Escolha um universo da Marvel qualquer, mas o adapte para parecer mais crível

2) Escreva uma história de amadurecimento

3) Injete uma comédia romântica no meio

4 ) Arrume um jeito de seu personagem aparecer em algum momento em um longa anterior da Marvel.

Parabéns. Você já está com meio caminho andado.

A outra metade é quando, entretanto, surge o trabalho hercúleo:

Ter suficiente personalidade para transformar essa receitinha acima em um filme altamente divertido. Entretenimento de primeira. E isso, como a gente anda vendo por aí, é uma missão bem difícil.
Thor é tudo isso. Um indiscutível "estilo Marvel". Previsível, mas divertidíssimo.
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Em defesa de David Fincher. Se é que ele precisa...


Nunca soube responder muito bem o motivo de achar "A Rede Social" o melhor e mais relevante filme dos dez indicados ao Oscar deste ano.

Falar que é apenas pelo roteiro é quase negligência. "A Rede Social" realmente é, à primeira vista, um filme de roteiro. Os diálogos rápidos, a forma narrativa escolhida por Aaron Sorkin, tudo é primoroso.

Mas um roteiro não é tudo. É uma parte extremamente importante. Não é possível fazer um filme bom com um roteiro ruim. Mas um roteiro bom pode ser prejudicado por uma direção ruim.

Daí entra David Fincher, o diretor de "A Rede Social"

É essencial a importância do trabalho de Fincher. Mas é difícil explicá-la, pois é quase imperceptível. E isso o torna um grande cineasta.

Ontem, me deparei com um artigo que deixa muita clara a importância de Fincher para o filme e para o cinema hollywoodiano. Para John Pavlus, autor do artigo, Fincher é o melhor designer de Hollywood.

O designer trabalha para deixar um projeto do qual participa o mais harmônico possível. Mas eles nunca devem se esquecer do conceito por trás dele. No caso de Fincher, ele parece pensar cada plano, cada sequência, cada cena. O cineasta vê cada detalhe. Se os objetos estão lá é porque eles realmente importam ao filme.

Um dos melhores exemplos do autor é a cena de "O Quarto do Pânico", quando Jodie Foster sai de seu isolamento para pegar um celular. Assista à sequência - que está lá no post de Pavlus - e perceba a importância dos objetos, do celular, do abajur, do colchão. Veja a cena, os planos, o efeito da câmera lenta. Até o movimento dos cabelos de Foster parecem jogar a favor do clima de tensão.

As cenas do making of de "Zodíaco" também dão a dimensão da maturidade de Fincher (clique aqui para vê-las). Perceba como o diretor utiliza os efeitos especiais. É como Craig Barron, o supervisor de efeitos visuais de "Zodíaco", disse ao falar de seu trabalho no filme: a ideia dos efeitos, neste caso, é o público não perceber que se tratam de efeitos.

E parece ser essa a personalidade de Fincher. O diretor pensa cada detalhe. Pensa cada plano. Mas só será bem-sucedido se o público não perceber o trabalho que há por trás do filme que acabou de ver. Por isso, o elogio mais recorrente a "A Rede Social" é em relação ao roteiro. Fincher faz tudo parecer fácil, faz parecer que o roteiro é realmente o grande protagonista. Mas não é. É essa a maior prova da genialidade do diretor. É só rever algumas cenas cruciais. A sequência da regata é uma delas. A sequência de abertura é outra. Podemos dar os créditos dos diálogos metralhados por Rooney Mara e Jesse Eisenberg apenas ao roteiro de Sorkin. Mas a sequência se tornar a essência de todo o filme e da personalidade de Mark Zuckerberg... Isso é David Fincher.

Por essas e outras, o Oscar de direção e, pior, o prêmio do Sindicato dos Diretores a Tom Hooper são ainda mais vergonhosos.
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Campanha "NÃO veja em 3-D!" Atualizada!


Aproveitando a estreia de "Besouro Verde" nos cinemas brasileiros, atualizei a lista de filmes 3D para relançarmos a nossa campanha "NÃO veja em 3D!"

"Besouro Verde" é o mais recente filme da safra de produções rodadas em 35mm e convertidas em 3D às pressas pelos estúdios. O motivo: aproveitar a popularidade do formato e cobrar mais caro pelo ingresso.

Felizmente, o 3D golpista tende a acabar. O número de títulos que serão lançados dessa forma está diminuindo, e já tivemos duas conversões canceladas: "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1" e "Sucker Punch - Mundo Surreal" (ambos da Warner).

Abaixo, você confere a lista dos próximos lançamentos com 3D convertido para que você possa escolher ver a versão tradicional e não gastar mais dinheiro do que deve.

Lembrando que "Besouro Verde" possui cópias 35mm legendadas no Brasil. Consulte a programação da sua cidade e NÃO veja em 3D!

Conversões confirmadas:
- Priest
- Lanterna Verde
- Thor
- Capitão América
- Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
- Conan, o Bárbaro
- Cabin in the Woods

Conversões canceladas:
- Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1
- Sucker Punch - Mundo Surreal

Conversões suspeitas:
- Os Smurfs
- Dolphin Tale
- Pequenos Espiões 4

Próximos filmes 3D genuínos (exceto animações*):
- Drive Angry
- The Hole
- Piratas do Caribe: Navegando em Águas Profundas
- Transformers 3
- Premonição 5
- Viagem ao Centro da Terra 2
- Contagion
- Homens de Preto 3
- Os Três Mosqueteiros
- Fright Night
- Hugo Cabret
- Immortals
- Untitled 3D Shark Thriller
- Battle of Warsaw 1920
- Homem-Aranha

* As animações computadorizadas já são produzidas em 3D, logo, a exibição nesse formato não pode ser considerada uma conversão.

Ainda não começaram a ser rodados, mas já foram anunciados em 3-D:
- Anjos da Noite 4
- Piranha 3D: The Sequel
- Triplo X 3
- Motoqueiro Fantasma 2
- Fúria de Titãs 2

Conversões já exibidas:
- Força G
- Alice no País das Maravilhas (crítica)
- Fúria de Titãs (crítica)
- O Último Mestre do Ar
- Como Cães e Gatos 2
- As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada
- A Sétima Alma (exibido em 3D apenas nos EUA)
- As Viagens de Gulliver
- Justin Bieber: Never Say Never
- Besouro Verde

Filmes 3D genuínos já exibidos:
- Ghosts of the Abyss
- Pequenos Espiões 3-D - Game Over
- Aliens of the Deep
- As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl
- U2 3D
- Scar - A Marca do Mal
- Viagem ao Centro da Terra
- Hannah Montana & Miley Cyrus - Show: O Melhor dos Dois Mundos
- Dia dos Namorados Macabro
- Jonas Brothers 3D: O Show
- Coraline e o Mundo Secreto
- Premonição 4
- Avatar (crítica)
- Resident Evil: O Recomeço (crítica)
- Ela Dança, Eu Danço 3 (não foi exibido nos cinemas brasileiros)
- Piranha 3D (foi rodado em 35mm, mas com a conversão 3D planejada desde o início)
- Jogos Mortais - O Final
- Jackass 3D
- Tron: O Legado
- Zé Colméia (crítica)
- Santuário

Dica de leitura: como os filmes 2-D são convertidos para 3-D (artigo em inglês).

Foto: FUCK 3D!
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Jack Sparrow e os personagens que não pararam na hora certa


Johnny Depp está convencido a interpretar Jack Sparrow eternamente. É a única conclusão possível após uma das últimas declarações do ator sobre a franquia. Depp disse ao Entertainment Weekly: "Desde que a gente consiga encaixar todas as peças eu, definitivamente, consideraria (um quinto filme)". Lembrando que o ator aceitou participar de "Piratas do Caribe" 2 e 3, imagino que o "encaixar todas as peças" não seja o pré-requisito mais rigoroso do mundo.

"Surpresa" é a palavra para descrever a primeira vez de Jack Sparrow nos cinemas. Afetado, de caráter duvidoso, sustentado por um grande ator e muito senso de humor, o personagem se tornou maior que o próprio filme. Mas a superexposição tem tudo para transformá-lo numa dessa figuras cinematográficas quase insuportáveis.

Para refrescar a memória de Jonnhy Depp, que entra em cartaz nos cinemas com "O Turista" nesta sexta-feira, dia 21, confeccionei esta despretensiosa lista de personagens que deveriam ter sido superados enquanto era tempo. Johnny, uma dica: a possibilidade de uma história boa se repetir várias vezes com o mesmo personagem é difícil, e nem o mais legal deles consegue resistir a um roteiro mequetrefe.


SHREK

Hollywood, definitivamente, não sabe como lidar com personagens novos e bem-sucedidos. O caso Shrek é similar ao caso Jack Sparrow. Nenhum deles foi baseado em nada. Eram personagens originais, fresquinhos, saídos do forno. Conquistaram o público, e os produtores vislumbraram a possibilidade de serem explorados a exaustão. O resultado: cansaço. Ver este ogro verde em algum lugar, qualquer lugar, quase me faz arrepender do dia que assisti a "Shrek" pela primeira vez. Errata: "Shrek", na verdade, é baseado em um livro infantil escrito por Willian Steig. Pablo Villaça, valeu pelo alerta!


CARRIE BRADSHAW

Carrie Bradshaw se tornou um dos ícones da década passada. Ditava moda, influenciou muita mulher por aí e era o oposto das mocinhas sem sal tão almejadas por Hollywood. Talvez, Bradshaw represente o início de uma nova era de personagens femininas menos estereotipadas. Porém, a TV não era o suficiente e Carrie e companhia tinham que se aventurar nos cinemas. Deu no que deu: o ícone se transformou em tudo aquilo que não era: a mocinha boba, fútil e chata.


OS DINOSSAUROS DE "JURASSIC PARK"

Lembro-me de quando assisti a "Jurassic Park" no cinema, pela primeira vez. Depois de pouco mais de duas horas, eu era uma criança impressionada, grudada na poltrona. Toda a construção de Spielberg fez dos dinossauros criaturas assustadoras e ameaçadoras. As poças d’água que se moviam com os passos dos bichos, a coleira vazia – sinal de que algum monstro tinha devorado o indefeso animal preso –, a primeira cena dos Tiranossauros, a sombra dos Velociraptors. Praticamente em todas as cenas do filme, Spielberg teve o cuidado de não transformar suas criaturas em simples “máquinas de ataque”. Trabalho completamente desfeito nas continuações. Hoje, os dinossauros parecem tão ameaçadores quanto os vermes malditos daquele filme que todo mundo viu no SBT.

ANAKIN SKYWALKER/DARTH VADER

Contar a origem de um dos vilões mais importantes do cinema é uma ideia tão boa quanto arriscada. Já que o objetivo era correr esse risco, pelo menos George Lucas e equipe não deveriam ter medido forças para realizá-lo bem. Mas todo o processo de Anakin Skywalker falha em um aspecto: sabemos no que ele irá se tornar, mas, no fim das contas, não estamos nem aí.


BRIDGET JONES

Bridget Jones era engraçada porque parecia alguém conhecido. Não era uma Angelina Jolie com inseguranças na vida pessoal, mas uma mulher normal, gordinha, sem muita vaidade, fumante, com uma queda para bebidas alcoólicas e um pouco paranóica. Nisso, nós conseguimos acreditar. No fim primeiro filme, Bridget Jones percebe que é uma pessoa normal como qualquer outra. Chega a continuação e Bridget Jones volta à estaca zero, parece não ter aprendido nada. A única conclusão possível é que Bridget, no fim das contas, é uma estúpida.


87,5% DOS PERSONAGENS DE EDDIE MURPHY

Deve ser muito difícil para Eddie Murphy ter o senso crítico para escolher um bom personagem. Pois quando o milagre acontece, ele parece não querer abandoná-lo nunca.

GREG FOCKER E JACK BYRNES

Por quanto tempo é possível fazer piadas sobre o conflito sogro e genro? Convenhamos, não muito. "Entrando Numa Fria" tinha um fiapo de trama, mas foi sustentado por cenas hilárias e uma dupla de atores carismáticos que transformavam seus personagens rasos em grandes destaques. Mas uma das consequências do sucesso é a zona de conforto. E foi nela que Greg Focker e Jack Byrnes caíram. Os papéis de Ben Stiller e Robert DeNiro viraram repetições desnecessárias.


HANNIBAL LECTER

Fiquei na dúvida se Hannibal Lecter merecia um lugar aqui. "O Silêncio dos Inocentes", o primeiro filme com Anthony Hopkins no papel, é tão importante que ninguém se lembra muito das outras produções com a presença de Lecter, por melhores ("Dragão Vermelho") ou piores ("Hannibal") que elas sejam. Entra na lista porque a ideia de dar continuidade a Hannibal Lecter não fez diferença na vida de ninguém. Nem na minha, nem na sua, nem na de Hopkins.
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"Minhas Mães e Meu Pai" e o cinema que saiu do armário


A derrota de "O Segredo de Brokeback Mountain" na principal categoria do Oscar para "Crash: No Limite", em 2006, representou algo além da surpresa de um favorito ser desbancado por um azarão. Não que o filme de Ang Lee precisasse de uma estatueta dourada para provar o seu valor. Mas a ideia de uma obra sobre o amor entre dois homens receber a consagração máxima da indústria hollywoodiana parecia um sinal de portas abertas para a representação do gay no cinema após um tortuoso caminho na mesma indústria.

Foram anos de um cinema americano reprimido. Primeiro, as obras de temática gay eram reservadas apenas a um cinema underground. Como lembra Luiz Nazário, em seu artigo O Outro Cinema, os personagens homossexuais eram claramente representantes da subversão, da degradação, do sofrimento e da clandestinidade.

Porém, após a explosão da Aids, era preciso que o sexo saísse da clandestinidade. Em Hollywood, a Aids passou a ser associada à morte. As mulheres fatais se tornaram constantes no arsernal do cinema americano. "Atração Fatal", filme de 1985, de Adrian Lynne, é um belo exemplo. Alex Ross, personagem de Glenn Close, é a grande metáfora da Aids. É a ideia de que relações promíscuas e extraconjugais podem levar à morte. O sexo se tornou controlado. E, com este controle, os homossexuais não podiam mais ser os “clandestinos” que o moralismo hollywoodiano e sua “estética heterossexual” tentaram propagar. Hollywood podia, portanto, representá-los de outra forma.

A partir daí houve uma mudança na imagem do homossexual na indústria. O que não quer dizer, entretanto, que seja uma imagem despida de um estereótipos. Os personagens gays se tornaram coadjuvantes engraçados, carismáticos e sensíveis. Passaram a ser retratados com sensibilidade e, alguma vezes, até piedade. O clichê do gay se tornou comum no cinema. Woody Allen brinca com isso em "Tudo Pode Dar Certo". No filme, um dos personagens fala que ser gay é uma abominação por ir contra as leis de Deus. Recebe a seguinte resposta:

- Deus é gay.
- Ele não pode ser. Ele fez o universo perfeito, os oceanos, os céus, as flores lindas e as árvores em todos os lugares.
- Exatamente. Ele é um decorador

Surgiu o gênero GLS, com sua temática abertamente homossexual e seus festivais. A visão de dentro começa a ter um espaço maior. Porém, são filmes que acabam, em sua maioria, destinados a exibições limitadas e distribuição independente. Hollywood, porém, ainda não estava tão interessada em se arriscar no tema.

“O Segredo de Brokeback Mountain” parecia representar uma quebra na postura da indústria hollywoodiana. Sim, um filme pode ter dois homossexuais como protagonistas. Sim, esses personagens podem ter defeitos, não precisam esbanjar carisma. Sim, um romance gay pode ser o fio no qual este filme se desenvolve. Sim, este filme pode ser exibido em um cinema de shopping. E, sim, esse filme pode ser indicado ao Oscar e ter chances de vencer.

Mas os anos nos quais os filmes gays foram sinônimos de cinema underground ou independente ainda reverberam. Conversando com um amigo sobre "O Segredo de Brokeback Mountain", ele me disse que não gostou do filme porque “pelo tema, tinha que ser mais ousado”. Será, então, que um filme de temática homossexual não pode ser normal? Cinema clássico não pode ser gay?

É aí que entra “Minhas Mães e Meu Pai”. No filme, os dois filhos adolescentes resolvem procurar o pai, ou melhor, o homem que doou os espermas para as suas mães, Jules e Nic. O longa de Lisa Cholodenko é simples. A história da família feliz perturbada por um elemento de fora já foi contada e recontada milhares de vezes. O casal formado por um viciado em trabalho e por um indivíduo inconstante (Annette Bening interpreta o primeiro tipo e Julianne Morre ficou com o segundo) também já foi retratado no cinema antes. Não existem grandes novidades em “Minhas Mães e Meu Pai”. Apenas o fato de ser um filme com duas personagens lésbicas centrais, Jules e Nic, cujas sexualidades não são determinantes para a narrativa.

O filme é sobre a família. O longa, entretanto, não é apenas uma tentativa de Cholodenko dizer que os homossexuais podem ter uma vida normal, uma família como outra qualquer. A diretora mostra que o fato de um filme ter personagens abertamente gays não torna obrigatório o enquadramento do longa no gênero GLS, sua narrativa não precisa ser sobre a sexualidade ou preconceito. O filme pode ser tradicional, pode ser simples. Se Cholodenko conhecesse bem a tênue linha que separa o tradicional do clichê, teríamos um grande e representativo filme.

Com seus chavões, “Minhas Mães e Meu Pai” é um bom longa. Inofensivo, passageiro, divertido e que emociona algumas vezes. Hoje, pode até ter a sua relevância, o que explica o sucesso de crítica e público que vem alcançando. Mas, desconfio, será um filme que não irá envelhecer bem. Outros tão bem intencionados quanto, porém, melhor resolvidos narrativa e cinematograficamente, deverão surgir. E depois que surgirem, talvez nem nos lembremos mais de Jules e Nic.
 

Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, 2010, EUA)
direção: Lisa Cholodenko; roteiro: Lisa Cholodenko, Stuart Blumberg; fotografia: Igor Jadue-Lillo; montagem: Jeffrey M. Werner; música: Carter Burwell, Nathan Larson, Craig Wedren; produção: Gary Gilbert, Philippe Hellmann, Jordan Horowitz, Jeffrey Levy-Hinte, Celine Rattray, Daniela Taplin Lundberg; com: Julianne Moore, Annette Bening, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson; estúdio: Mandalay Vision, Antidote Films, Artist International, Gilbert Films; distribuição: Imagem Filmes. 106 min
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