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Últimos dias de inscrições para o Cinesul 2011

Vai até o próximo dia 25, o prazo de inscrições para a 18ª edição do Cinesul - Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo, que acontece no Rio de Janeiro, de 14 a 26 de junho. Longas, curtas e médias podem participar. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis aqui. Segue o release completo com mais informações:

Inscrições para Cinesul 2011 terminam no dia 25 de março

REALIZADO NO RIO DE JANEIRO, O FESTIVAL VAI DE 14 A 26 DE JUNHO

Até o próximo dia 25 é possível se inscrever no Cinesul 2011 – 18° Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo, que acontece no Rio de Janeiro de 14 a 26 de junho. Para participar da mostra competitiva poderão se inscrever obras em qualquer suporte de ficção ou documentais divididas nas seguintes categorias: longa-metragem (mais de 61 minutos) e curta e média-metragem (até 60 minutos). Os trabalhos deverão ter sido finalizados entre 2009 e 2010 e não devem ter sido exibidos em salas comerciais brasileiras ou na televisão aberta. Um filme que já tenha sido inscrito, porém não tenha sido selecionado, pode se inscrever novamente. E não há número limite de inscrições de um mesmo realizador. O Cinesul terá exibições no Centro Cultural do Banco do Brasil, Centro Cultural Correios, Cinemateca do MAM, Ponto Cine e nos pólos de exibição no interior do estado do Rio de Janeiro.

As inscrições vão até o dia 25 de março e deverão ser feitas em formulário disponível no site www.cinesul.com.br .. Até a data de postagem devem ser encaminhados por correio os seguintes materiais: ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada pelo realizador ou produtor; e uma cópia do filme ou vídeo proposto no formato DVD (região zero ou 4). O endereço é Pulsar Artes & Produção /Cinesul 2011 (Rua Senador Dantas, 29 sala 34 – CEP: 20031-202 - Rio de Janeiro – Brasil).

A ficha de inscrição deve também ser enviada por e-mail para o endereço festivalcinesul@gmail.com . O prazo limite para o recebimento dos trabalhos é 1º de abril. A confirmação do recebimento da inscrição será através de e-mail. O resultado da seleção será comunicado a todos os participantes a partir do dia 20 de abril no endereço www.festivalcinesul.blogspot.com

A História do Cinesul

O Cinesul - Festival Ibero-Americano de Cinema e Vídeo foi criado, em 1994, no Rio de Janeiro como uma mostra de cinema e vídeo dos países do Mercosul, a partir de iniciativa do Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, tendo ampliado seu alcance já em sua terceira edição. Ao longo desses anos, cresceu e se estabeleceu definitivamente como uma vitrine da produção cinematográfica latino-americana. Desde a edição de 2006 passou a aceitar nas mostras competitivas trabalhos da Península Ibérica e, desde o ano 2008, filmes em todos os suportes.

Em 2010 foram exibidos cerca de 250 filmes de cinematografias de países como Brasil, Argentina, México, Espanha, Venezuela, Guatemala, Chile, Peru, entre outros. Desses, 19 longas e 54 curtas e médias-metragens participaram da mostra competitiva e os demais chegaram às telas em mostras paralelas como “Palcos e Telas”, “Cinesul Ambiental”, “Arte Cinesul”, “Romance Latino”, “Foco Espanha”, “Bossas Musicais”, “Cinesul Animado”, “Cinesul Ambiental”, “Futebol Latino”, “Panorama Latino” e “TVs Universitárias”. Além dos filmes, o festival prestou homenagem à cineasta brasileira Lúcia Murat e ao Estúdio Cinédia, pelos seus 80 anos, e realizou o seminário “Cinema e História”.

Em 2010, 977 filmes foram inscritos para participar do festival. Do Brasil vieram mais da metade das produções, seguido da Espanha, Argentina e Venezuela. Países como França, Inglaterra e Canadá também inscreveram obras que versavam sobre algum tema ligado à latinidade. O Cinesul é fruto do trabalho da Pulsar Artes e Produção, empresa fundada pela pesquisadora e professora Ângela José do Nascimento, e agora dirigida pelo produtor e pesquisador Leonardo Gavina.
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É Tudo Verdade anuncia filmes brasileiros em competição


A organização do principal festival de documentários realizado no país divulgou hoje os filmes brasileiros selecionados para as competitivas de longas/médias e curtas. Confira a relação completa no release abaixo:

É TUDO VERDADE 2011 ANUNCIA CONCORRENTES BRASILEIROS

Primeira lista de selecionados brasileiros traz os escolhidos para as competições de longas/médias e de curtas-metragens

Sete documentários inéditos concorrem na categoria principal; cinco dos nove curtas são também inéditos

16ª edição acontece entre 31 de março e 10 de abril simultaneamente em São Paulo e no Rio de Janeiro

Entrada gratuita em todas as salas de exibição

O É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários tem o privilégio de anunciar a primeira relação de selecionados para sua 16a. edição, que acontece entre 31 de março e 10 de abril próximo. Sete obras inéditas participarão da competição de longas e médias-metragens. Nove curtas-metragens, sendo cinco inéditos, farão a disputa específica do gênero.

Outros títulos nacionais inéditos, assim como a seleção internacional, serão anunciados nos próximos dias.

“É um privilégio lançar uma nova safra que reafirma a consolidação do pluralismo tanto estílistico quanto temático do documentário brasileiro”, destaca o crítico Amir Labaki, fundador e diretor do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários. “Muito saudável ainda me parece a combinação de gerações nas duas disputas nacionais”.

O documentário vencedor da disputa de longas e médias-metragens nacionais inéditos receberá o Troféu É Tudo Verdade, criado pelo artista plástico Carlito Carvalhosa, e o Prêmio CPFL Energia / É Tudo Verdade no valor de R$ 100 mil. O vencedor na disputa de curtas brasileiros receberá o Troféu É Tudo Verdade e um prêmio em dinheiro no valor de R$ 10 mil.

COMPETIÇÃO BRASILEIRA DE LONGAS E MÉDIAS

Assim É, Se Lhe Parece, de Carla Gallo (SP, 74 min). Um perfil do artista plástico Nelson Leirner, seu cotidiano, seu método de criação e suas crenças.

Aterro do Flamengo, de Alessandra Bergamaschi (RJ, 69 min). Uma câmera estática capta, em tempo real, uma cena urbana e as diversas reações dos transeuntes a um episódio inusitado.

Carne, Osso, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros (SP, 56 min). Um mergulho no mundo dos frigoríficos brasileiros, marcado por condições precárias, riscos e danos à saúde de seus trabalhadores.

Família Braz II, de Dorrit Harazim e Arthur Fontes (RJ, 82 min). Reencontrando personagens focalizados em outro documentário, há uma década, os diretores atualizam a visão da nova classe média brasileira, através do perfil de uma família moradora na Vila Brasilândia paulistana.

Tancredo, A Travessia, de Silvio Tendler (RJ, 90 min). A trajetória do político mineiro Tancredo Neves (1910-1985), desde sua ligação com Getúlio Vargas até o trágico episódio da doença que o impediu de assumir a Presidência do Brasil.

Vale dos Esquecidos, de Maria Raduan (SP, 72 min). A história da longa e sangrenta disputa pela terra no território antes ocupado pela fazenda Suiá-Missu (MT), que na década de 70 era considerada o maior latifúndio do Brasil.

Vocacional, Uma Aventura Humana, de Toni Venturi (SP, 80 min). Ex-aluno do Ginásio Vocacional de São Paulo, o diretor Toni Venturi recupera as memórias de uma experiência educacional arrojada na educação pública, destruída pela ditadura militar.

COMPETIÇÃO BRASILEIRA DE CURTAS-METRAGENS

Braxília, de Danyella Proença (DF, 17 min). Uma viagem por Brasília junto com o poeta Nicolas Behr.

Coutinho Repórter, de Rená Tardin (RJ, 25 min). Uma conversa com o cineasta Eduardo Coutinho sobre sua experiência na equipe do programa “Globo Repórter”, realizando documentários sociais em plena ditadura.

Entre Vãos, de Luísa Caetano (DF, 19 min). O cotidiano em Vão de Almas, comunidade de origem quilombola Kalunga, em Cavalcante (GO).

O Filme Que Eu Fiz Para Não Esquecer, de Renato Gaiarsa (SP, 3min30s). Flagrantes da memória de um romance.

Hoje tem alegria, de Fábio Meira (SP, 25min45s). Os pequenos circos do norte e nordeste, sua rotina, seus dilemas, longe dos grandes centros.

Meia Hora Com Darcy, de Roberto Berliner (RJ, 30 min). Em tempo real, a íntegra de um dos últimos depoimentos do antrópolo e político brasileiro, Darcy Ribeiro (1922-1997).

Palavra Plástica, de Leo Falcão (PE, 18min20s). Vinte artistas se reúnem para uma homenagem a Carlos Pena Filho, poeta morto prematuramente, há 50 anos.

A Poeira e O Vento, de Marcos Pimentel (MG, 18 min). O cotidiano de um pequeno vilarejo mineiro, nas imediações do Parque Estadual de Ibitipoca.

São Silvestre, de Lina Chamie (SP, 18 min). Um registro impressionista da edição 2010 da mais célebre prova de rua brasileira, a Corrida de São Silvestre, em São Paulo.

Serviço

É Tudo Verdade – 16º Festival Internacional de Documentários
São Paulo e Rio de Janeiro – 31 de março a 10 de abril
www.etudoverdade.com.br
twitter: @etudoverdade
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Fluxus 2011 recebe inscrições até o final do mês

A edição deste ano do festival Fluxus, voltado para curtas e projetos de filme-instalação, está recebendo inscrições até 28 de fevereiro. Os curtas selecionados serão exibidos em mostra competitiva na internet, enquanto os projetos farão parte de uma exposição prevista para acontecer em maio em São Paulo e Belo Horizonte. Os pré-requisitos e outros detalhes você confere no release, logo abaixo. As inscrições são gratuitas. Se você se qualifica, não deixe de participar.

FLUXUS 2011

Inscreva seu filme, apresente seu projeto de filme-instalação: Fluxus 2011 recebe inscrições até 28 de fevereiro www.fluxusfestival.com

Cinema na internet, no Museu, na Galeria: propor espaços expandidos para a exibição do audiovisual é o conceito do Fluxus 2011. Até o dia 28 de fevereiro, o Fluxus recebe inscrições para a sua oitava edição que traz a novidade de aceitar também projetos de filme-instalação, além da inscrição de filmes curtos. Patrocinado pela Petrobras, o Fluxus irá acontecer simultâneamente na internet e num espaço expositivo - como no ano passado que o festival realizou uma exposição no Museu da Imagem e do Som de São Paulo - prevista para acontecer em maio em São Paulo e Belo Horizonte.

O festival recebe inscrição para duas modalidades de trabalhos:

Para filmes que serão exibidos no site www.fluxusfestival.com e estarão na competitiva:
> Duração mínima de 3 minutos e máxima de 25 minutos.
> Para as animações não há limite mínimo de duração, podendo ter o limite máximo de até 25 minutos.
> Produzidos em 2010/2011.
> Qualquer gênero: ficção, documentários, experimentais, animações e vídeo-arte; e com qualquer tema.

Para projetos de filme-instalação que farão parte da Exposição Fluxus 2011:
> Serão aceitos projetos, inéditos ou não, que tenham como foco
> principal a exibição do filme ou vídeo ou experimentação audiovisual (imagem em movimento e/ou sonora) num espaço físico (instalação). Os trabalhos inscritos devem buscar novos modos de construção narrativa e/ou novos modos de exibição não convencionais para trabalhos audiovisuais de caráter autoral e artístico, prevalecendo a justificativa da intenção estética do artista para que a exibição se dê num espaço de uma galeria ou museu.
> O foco desta categoria tem a intenção de priorizar o espaço expandido do filme para além do clássico espaço de exibição da sala escura.
> O festival ficará responsável apenas pela montagem do filme-instalação dos projetos selecionados. Não cobrirá custos de produção das obras audiovisuais inseridas na instalação que já deverão estar desenvolvidas pelo artista.

As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas no site do festival - www.fluxusfestival.com - ou no site Short Film Depot (sistema internacional de inscrição de filmes em festivais, dedicado ao formato curto, e que tem versão em português) em www.shortfilmdepot.com (a partir da próxima sexta, dia 28). O realizador poderá escolher entre enviar uma cópia do filme em DVD/CD pelo correio ou enviar o arquivo pela internet. Veja todo o regulamento no site do festival.

O Fluxus 2011 - Festival Internacional de Cinema na Internet é apresentado pela Petrobras e realizado pela produtora Zeta Filmes.

Outras informações

www.fluxusfestival.com
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Festival Tela Digital abre inscrições

Muito bacana a iniciativa da TV Brasil e da Kinoforum com o Festival Tela Digital, que chega à sua segunda edição. Você que gosta de fazer experimentações em vídeo, é estudante ou cineasta e faz curta-metragens ou simplesmente gosta de fazer filmes com equipamentos caseiros apenas por diversão tem a oportunidade de concorrer a prêmios em dinheiro e ter seu trabalho exibido na TV. E não só o formato, mas a temática também é livre.

As inscrições começam nesta terça-feira, dia 1º/fev, e vão até 30 de junho. Confira todos os detalhes no release abaixo:

Festival de Vídeo Tela Digital abre inscrições a partir de 1º de Fevereiro

Inscritos ganham 750 reais por vídeo exibido e os melhores dividirão prêmio de R$ 60 mil reais.

Está chegando o segundo Festival de Video Tela Digital. Você inscreve o seu vídeo pela internet e ele pode ser selecionado para exibição no programa de televisão Festival Tela Digital veiculado pela TV Brasil/EBC e emissoras que fazem parte da Rede Pública de televisão em 2011. São 750 reais para cada vídeo exibido na TV e 60 Mil Reais em prêmios para os melhores vídeos! O Festival Tela Digital une a TV Brasil e a Kinoforum, organizadora e produtora do festival, promovendo a descoberta de novos olhares e uma troca maior entre a Televisão, a Internet e os produtores audiovisuais independentes.

Como participar: O Festival não terá nenhuma restrição quanto à temática das histórias. Você é livre para contar o que quiser. No entanto, os vídeos precisam ser inéditos na televisão e não conter material pornográfico, preconceituoso, não violar a privacidade de outras pessoas e não ter caráter institucional, promocional ou publicitário. O programa é para todos os públicos e a classificação indicativa dos vídeos deve ser de 12 anos - clique aqui para saber mais.

Inscrições: 1 de Fevereiro a 30 de Junho de 2011

Equipamento: Qualquer equipamento: câmeras de vídeos, câmeras fotográficas digitais, celulares ou animações feitas em computador

Duração: 3 a 12 minutos

Quanto antes você inscrever seu vídeo, maiores são as suas chances de participar!

Acesse o site http://www.blogger.com/www.teladigital.org.br e participe da democratização da Televisão!

Premiação: R$ 60.000,00 em prêmios

R$ 20 mil para o Melhor Vídeo Tela Digital (pelo Júri)

R$ 10 mil para o Melhor Vídeo Tela Digital (pelo Público)

R$ 10 mil para outros três trabalhos que se destacarem na competição.

Ferramentas Web

Nossa equipe estará disponível para tirar dúvidas não resolvidas via FAQ ou e-mail através de ferramentas gratuitas da web. Então, se você está em outro estado ou não conseguiu resolver suas dúvidas em nossa FAQ, fale conosco:

Skype: teladigital
Google talk: teladigital@kinoforum.org
Site: www.teladigital.org.br

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Digg: teladigital@kinoforum.org
Netvibes: teladigital
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14a. Mostra de Tiradentes: Os Premiados


O documentário "Solidão e Fé", de Tatiana Lohmann, sobre o qual Mariana Deslandes escreveu, foi eleito o melhor filme da 14a. Mostra de Tiradentes pelo Júri Popular. A premiação aconteceu na noite do último sábado, dia 29. O público do festival também elegeu como melhor curta "Traz Outro Amigo Também", de Frederico Cabral. O Júri da Crítica e o Júri Jovem premiaram o longa "Os Residentes", de Tiago Mata Machado, filme que será exibido no Festival de Berlim agora em fevereiro.

Confira abaixo as informações sobre a premiação, divulgadas pela assessoria da Mostra de Tiradentes.

OS RESIDENTES, DE TIAGO MATA MACHADO, É O GRANDE VENCEDOR DA 14ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

Vó Maria recebe o prêmio de melhor curta-metragem da Mostra Foco, novidade da edição deste ano. Solidão e Fé e Traz Outro Amigo Também levam os prêmios de público para longa e curta, respectivamente

Foram anunciados na noite deste sábado, dia 29, os filmes premiados na 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Pelo quarto ano consecutivo, o Júri Jovem e o Júri da Crítica escolheram cada um seu Melhor Filme entre os longas apresentadas dentro da Mostra Aurora, seção dedicada a diretores em início de filmografia, e, pela primeira vez, os curtas-metragens da Mostra Foco também foram avaliados por esse mesmo Júri da Crítica. O tradicional Júri Popular contemplou os preferidos do público entre os longas e curtas-metragens exibidos dentro da programação.

Como Melhor Filme, foi eleito pelos cinco membro do Júri da Crítica o longa mineiro Os Residentes, de Tiago Mata Machado. “Mantendo-se fiel ao espírito inovador e subversivo da Mostra Aurora, o júri destaca a ousadia de um cinema provocativo, radical e esteticamente ambicioso”, justificou Beth Miranda, que subiu ao palco representando o Júri da Crítica.

Os Residentes também foi eleito pelo Júri Jovem como Melhor Filme da Mostra Aurora, por ser aquele que “melhor expressa as possibilidades do cinema brasileiro hoje, indo ao encontro de nossos anseios com um olhar inconformado e perturbador”, explicou Rafael de Souza Alvarenga, membro do Júri Jovem.

“Não tenho nenhum discurso preparado, nunca imaginei que eu fosse virar um garoto Aurora. Espero que sirva de incentivo para os jovens terem um pouco mais de liberdade e ruptura”, comemorou Tiago Mata Machado, sob aplausos da plateia. O filme teve sua estreia em novembro no Festival de Brasília, onde entrou no último momento na programação, e quebra uma tradição da Mostra Aurora ao ser o primeiro longa-metragem mineiro contemplado com o prêmio.

Concorriam ao Prêmio Aurora cinco documentários e duas ficções: Enchente, de Julio Pecly e Paulo Silva (RJ); Riscado, de Gustavo Pizzi (RJ); Remições do Rio Negro, de Erlan Souza e Fernanda Bizarria (AM); Sertão Progresso, de Cristian Cancino (SP); Os Residentes, de Tiago Mata Machado (MG); Santos Dumont – Pré-Cineasta?, de Carlos Adriano (SP); e Vigias, de Marcelo Lordello (PE).

Entre os 19 títulos de nove estados diferentes que compunham a Mostra Foco, criada na última edição para abrigar os curtas mais representativos do ano e que nesta edição passou a ser avaliada pelo mesmo Júri da Crítica que acompanhou os longas da Mostra Aurora, foi eleito como Melhor Curta Vó Maria, de Tomás Von der Osten, do Paraná, que teve sua primeira exibição pública aqui em Tiradentes.

“O Júri decidiu por unanimidade privilegiar um filme que produz potentes efeitos de sentido a partir da economia extrema de seus recursos expressivos. Nele, uma tensão complexa entre rememoração e esquecimento surge aliada a uma reflexão sobre a natureza da imagem fotográfica e cinematográfica”, justificou Cristian Borges, membro do Júri da Crítica.

O Júri da Crítica foi composto pelos críticos e pesquisadores José Geraldo Couto (Folha de São Paulo-SP), Cristian Borges (USP-SP), Beth Miranda (PUC-MG), João Luiz Vieira (UFF-RJ) e Cesar Guimarães (UFMG-MG). Já o Juri Jovem foi formado por estudantes universitários selecionados a partir da participação da oficina de análise crítica da linguagem cinematográfica realizada na última edição da Mostra CineBH e teve como representantes Alexandra Duarte de Lemos, Jessica Soares Ferreira de Assis, Ludimilla Alvarenga Fonseca, Marina Alvarenga Botelho e Rafael de Souza Barbosa, todos entre 20 e 25 anos.

Os vencedores da Mostra Aurora e Foco recebem, além do Troféu Barroco, prêmios em serviços e material para realização de sua próxima produção de empresas parceiras do evento, como Quanta, Labocine, CTAv, Cinema e Kodak.

Os vencedores do Júri Popular foram escolhidos a partir da votação do público após as sessões da Mostra. Entre os curtas-metragens, o vencedor do Troféu Barroco do Júri Popular foi Traz Outro Amigo Também, ficção gaúcha de Frederico Cabral, agraciado assim com o prêmio Aquisição Canal Brasil, que contempla o valor de R$ 15 mil e a exibição do filme na grade de programação. Entre os longas, foi escolhido pelo público da Mostra de Tiradentes como Melhor Longa o documentário Solidão e Fé, de Tatiana Lohmann.

Abaixo todos os premiados da 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes:

Júri da Crítica

Prêmio Aurora de Melhor Filme – Os Residentes, de Tiago Mata Machado (MG)

Prêmio Aurora de Melhor Curta – Vó Maria, de Tomás Von der Osten (PR)

Júri Jovem

Prêmio Aurora de Melhor Filme – Os Residentes, de Tiago Mata Machado (MG)

Júri Popular

Melhor Curta – Traz Outro Amigo Também, de Frederico Cabral (RS)

Melhor Longa – Solidão e Fé, de Tatiana Lohmann (SP)

Prêmio Aquisição Canal Brasil

Traz Outro Amigo Também, de Frederico Cabral (RS)

* Na foto: Eduardo Valente representando o diretor Frederico Cabral, do curta "Traz Outro Amigo Tambem"l, Francisco Cesar Filho representando a diretora Tatiana Lohman do filme "Solidao e Fe", Tiago Mata Machado diretor do longa "Os Residentes" e Tomas Von der Osten diretor do curta "Vo Maria". Créditos: Leonardo Lara/Divulgação
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Solidão e Fé


Este ano, a Mostra de Cinema de Tirantes chegou a sua 14ª edição. São nove dias de evento, mas só pude acompanhar dois, no fim de semana de 22 e 23 de janeiro. Como sempre acontece com quem vai ao evento é preciso fazer escolhas. Desta vez, deixei de lado as produções mais badaladas e acabei vendo filmes mais difíceis de encontrar nas salas comerciais, os curtas e os documentários.

Neste pouco tempo, não cheguei a ver muita coisa, mas algumas produções me chamaram atenção. Entre elas os curtas documentários “Uma Noite em 68” e “A Musa da Minha Rua”. O primeiro, realizado por Ionaldo Araújo com um orçamento de R$ 200, revive uma noite no 3º Festival Internacional da Canção em que o público se decepcionou com a vitória da música “Sabiá”, de Chico Buarque e Tom Jobim, pois tinham como preferida “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré. Com recursos extremamente limitados, Ionaldo consegue nos emocionar ao projetar na tela a escuridão acompanhada da apresentação de Vandré e um coral de infinitas vozes.

Já “A Musa da Minha Rua”, dirigido por Adolfo Lachtermacher, conta a história da atriz dos tempos da pornochanchada Sandra Barsotti. Sempre associando de forma divertida a vida da atriz com a de suas personagens, o diretor aproveita para discutir um pouco a contribuição dessas produções da década de 1970 para o cinema e a televisão, e o preconceito que ainda ronda o estilo. Em uma das melhores passagens do curta, Sandra afirma que os atores da pornochanchada escaparam ilesos e seguiram com suas carreiras, enquanto as mulheres ficaram com uma “má fama”. Segundo ela, apenas Xuxa, que comprou as cópias de seu filme ("Amor Estranho Amor") para tirá-lo de circulação, conseguiu manter o sucesso.

Porém, de tudo que vi o que mais me surpreendeu foi um longa-metragem documentário que só vi graças a um feliz engano. Pretendia ver “Malu de Bicicleta” e “VIPs” na sequência, mas confundi os locais de exibição e acabei vendo “Solidão e Fé”, documentário que, alguns dias antes, enquanto lia a sinopse, fiz cara feia por tratar de algo que sempre me causou certa repulsa: rodeios.

Surpreendentemente, me deparei com um filme dirigido por Tatiana Lohmann que chama atenção por sua honestidade e motivação em adentrar e compreender o universo dos rodeios e a cultura sertaneja na qual eles estão inseridos. Para mim, nada explica isso melhor do que a seguinte frase de Tatiana: “Uma mulher, num mundo de homens, com regras de homens”. É isso que a diretora faz que diferencia seu trabalho da maioria dos documentários feitos no Brasil. Ela não apenas filma e participa, também compartilha com o espectador suas dúvidas, angústias e motivações durante o processo.

Em vários momentos, quando expõe seus preconceitos e sua incapacidade de compreender alguns elementos daquela cultura, Tatiana parecia ler minha mente. Um tratamento muito sensível e que, em algumas situações, faz parecer que aquilo é ficção e que se aproxima a hora em que veremos o final feliz, com a consagração de alguns dos peões que a cineasta acompanha. Mas logo a realidade nos bate na face e ouvimos frases que soam com uma naturalidade brutal, como o ex-peão que diz: “Matar o primeiro é que é difícil, depois disso fica fácil” (não sei se são exatamente essas as palavras, mas é assim que me lembro delas).

“Solidão é Fé” também acerta em vários elementos técnicos como a escolha dos ângulos de filmagens, momentos escolhidos para usar câmera estática ou com movimento, ou os depoimentos selecionados na montagem. Apenas o áudio deixa um pouco a desejar. Com voz suave, a narração da diretora em alguns momentos é engolida pela música de fundo, o que torna difícil compreender suas palavras. Porém, é um problema muito pequeno (e que pode estar relacionado à projeção na mostra) diante da obra honesta e verdadeira, que em momento algum tenta vangloriar ou condenar a imagem dos peões de rodeios, se contentando em ser uma tentativa de compreender uma cultura tão distante e curiosa para a maioria de nós. Se Tatiana consegue a compreensão que pretendia, só ela pode dizer, mas o resultado que apresenta na tela é mais que satisfatório.


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Festival de Paulínia 2011 anuncia datas

O Festival de Paulínia (ou Festival Paulínia de Cinema, para usar o nome oficial) chega à sua quarta edição já como um festival tradicional no calendário brasileiro. Este ano, as exibições dos filmes selecionados vão acontecer entre 7 e 14 de julho, sendo que as inscrições começam em 1º de março.

Mais informações no release abaixo:

Secretaria de Cultura de Paulínia anuncia período de realização do PAULÍNIA FESTIVAL DE CINEMA - 2011

A quarta edição do Paulínia Festival de Cinema será realizada de 07 a 14 de julho de 2011. As inscrições dos filmes poderão ser feitas a partir de 1º de março, e até o dia 15 de maio, através do site www.culturapalinia.com.br ou na Secretaria de Cultura de Paulínia – Av. Prof. José Lozano de Araújo, 1550. O evento terá um total de R$ 650 mil a serem divididos entre cerca de vinte e cinco prêmios.

Além dos filmes selecionados que vão compor a mostra oficial, o IV Festival Paulínia de Cinema terá em sua programação encontros e debates com personalidades do meio cinematográfico, exibição de filmes infantis e de títulos recentes do cinema brasileiro que não chegaram ao circuito comercial da cidade, lançamentos de livros, seminários, workshops, palestras e oficinas para moradores de Paulínia e da região metropolitana de Campinas.

As exibições dos filmes serão realizadas no Theatro Municipal e as atividades paralelas, como oficinas, workshops, debates e palestras estarão locadas entre o Espaço Cultura e as dependências dos estúdios do Polo Cinematográfico de Paulínia.

Dez nomes comporão os dois júris que escolherão os melhores filmes e os melhores profissionais das categorias concorrentes.

O Paulínia Festival de Cinema - 2011 é uma realização da Prefeitura Municipal de Paulínia com coordenação de produção da Secretaria Municipal de Cultura.

Foto: Wikipedia
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Filme mineiro no Festival de Berlim


O longa-metragem "Os Residentes", do mineiro Tiago Mata Machado ("O Quadrado de Joana"), foi selecionado para o Fórum Berlinale, tradicional seção do Festival de Berlim dedicada a trabalhos de novos cineastas. O filme, premiado em Brasília no ano passado (Atriz, Atriz Coadjuvante, Fotografia e Trilha Sonora) será exibido nos dias 16, 17 e 19 de fevereiro, depois de passar pela 14ª Mostra de Tiradentes.

Confira o release com mais informações:

Os Residentes, do mineiro Tiago Mata Machado, vai participar do Festival de Berlim. O filme, que será exibido também no Festival de Tiradentes, foi vencedor de quatro categorias (atriz, fotografia, trilha sonora e atriz coadjuvante) no 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, realizado em novembro de 2010.

Em uma casa abandonada, Os Residentes instauram uma nova zona autônoma temporária. Jura e o filho alojam-se na cozinha, Matheus e Ava enfurnam-se num quarto, Dimas marca seu território pelas paredes da casa. Logo, eles receberão novos hóspedes: um velho militante neoísta, um auto-exilado e uma artista plástica de renome, aparentemente sequestrada. As ambiências lúdicas que o grupo cria dentro da casa começam repentinamente a se proliferar pelas ruas da cidade.

direção: Tiago Mata Machado
ficção, cor, 35mm, 120min, MG, 2010

elenco: Melissa Dullius, Gustavo Jahn, Jeane Doucas, Simone Sales de Alcântara, Dellani Lima, Roberto de Oliveira, Geraldo Peninha, Cassiel Rodrigues e Paulo César Bicalho

produção executiva: João Dumans e Tiago Mata Machado
roteiro: Tiago Mata Machado, Cinthia Marcelle e Emílio Maciel
fotografia: Aloysio Raulino
montagem: Joacélio Baptista e Tiago Mata Machado
som: Bruno Vasconcelos e Pedro Aspahan
direção de arte, cenografia e figurino: Cinthia Marcelle
trilha sonora e música original: André Wakko, Juan Rojo, David Lansky e Vanessa Michellis

Tiago Mata Machado

Tiago Mata Machado é Mestre em Multimeios pela Unicamp. Atuou como crítico de cinema na Folha de São Paulo, no jornal Hoje em Dia, de BH, e nos programas de TV Agenda e Cinemagazine, da Rede Minas de Televisão. Trabalhou como júri de festivais de cinema (1º CineEsquemaNovo, 6º Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte), participou de inúmeras comissões de seleção (dentre elas, a Comissão de Seleção de Novas Mídias Digitais do Programa Petrobras Cultural/2005), e atualmente é curador (mostra Vanguardas/Neovanguardas, no 11º Festival Internacional de Curtas BH/2009. Como diretor, realizou os curtas-metragens Auto da Ilusão e Curra Urbana, além de roteirizar e dirigir outras obras como Experimental Galpão e Festa no Horizonte. Sua estreia em longa-metragem se deu em 2006, com O Quadrado de Joana, lançado no 10º Festival de Cinema de Tiradentes e exibido em vários festivais e mostras de cinema em Minas Gerais e no Brasil. Seu segundo longa-metragem, Os Residentes, premiado na Terceira Edição do Filme em Minas (edital de estímulo a produção audiovisual, do Governo do Estado de Minas Gerais), foi finalizado em setembro de 2010.
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INDIE 2010: destaques da programação


O pôster oficial do INDIE 2010, by Voltz Design,
que virá encartado no catálogo - clique para ampliar

Sem dúvidas, os grandes destaques da programação do INDIE 2010 são as duas retrospectivas, ambas inéditas no Brasil e exclusivas do festival.

Primeiro, temos o já anunciado programa com a obra de Kiyoshi Kurosawa, que levará às telas da mostra 23 filmes deste cineasta japonês, cultuado por seu cinema de horror e por um dos grandes filmes dos últimos cinco anos, "Sonata de Tóquio", que ainda permanece inédito em circuito comercial no Brasil.

E agora a organização do INDIE anuncia a retrospectiva Apichatpong Weerasethakul, ou "Joe" para simplificar. Ele mesmo, o vencedor da Palma de Ouro deste ano. Uma pena que o filme que ganhou Cannes, "Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives", não virá para o INDIE (pelo menos, até segunda ordem - vai que pinta uma surpresa?). Mas mesmo assim será uma chance única para o público conhecer a obra deste cineasta tailandês, que ainda não teve um filme sequer lançado comercialmente por aqui. A seleção dos cinco longas e 20 curtas que será apresentada no festival foi feita pelo próprio diretor para o INDIE. Sensacional.

Confira os demais destaques da programação, divulgados hoje. A lista completa dos filmes com os dias e os horários estará disponível no site oficial do INDIE a partir do próximo dia 26.

O INDIE 2010 acontece de 2 a 9 de setembro em Belo Horizonte e de 16 a 23 de setembro em São Paulo.

MOSTRA MUNDIAL > 24 filmes, 12 países, 22 estreias O programa faz um mix de diretores consagrados, novos diretores e as novas tendências do cinema. Entre os consagrados: Hong Sang-Soo ( com “Hahaha”, prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes 2010); Koji Wakamatsu com “Caterpillar” (competiu no festival de Berlim 2010); o último filme de Clare Denis, “White Material”; e Todd Solondz (os personagens de Happiness, 12 anos depois, em “A Vida Durante a Guerra”).

Foco também para o cinema romeno com destaque para “Terça-feira, Depois do Natal” (participante da seleção oficial da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes) e no novo cinema indie americano: “Mobília Mínima”, prêmio de Melhor Filme de Ficção no festival americano SXSW, dirigido Lena Dunham; “Alguns Dias São Melhores que Outros” de Matt McCormick que participou dos festivais de SXSW e Seattle; e “Amor e Ódio”, de Bryan Poyser, que estava na competitiva do Sundance deste ano.

RETROSPECTIVA KIYOSHI KUROSAWA > 23 filmes (22 deles, em 35mm). Os vários estilos e gêneros da obra de Kurosawa. Nascido em 19 de julho de 1955, em Kobe, na província de Hyogo, no Japão, Kurosawa começou a dirigir filmes independentes em 8mm quando estudava Ciências Sociais na Universidade Rikkyo. Kurosawa passou os anos seguintes aprendendo com os diretores Kazuhiko Hasegawa e Shinji Somai. Estreou comercialmente, em 1983, com o longa-metragem “Guerras De Kandagawa” um legítimo pinku eiga (os pornôs leves japoneses). A restrospectiva exibe também as séries sobre detetives e Yakuza feitas para a televisão nos anos 1990; além dos filmes que o consagraram como "Cure" (Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cinema de Yokohama, 1999); "Charisma" (Quinzena dos Realizadores, em Cannes 1999), “Permissão para Viver” (Fórum do Festival de Berlim, 1999); “Ilusões Inúteis” (Mostra Internacional de Veneza, de 1999), "Pulse" (Prêmio da Crítica na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes 2001), “Futuro Brilhante” (competitiva do Festival de Cannes 2003); até “Sonata de Tóquio”( prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes 2008).

RETROSPECTIVA APICHATPONG WEERASETHAKUL > 25 filmes (5 longas, 1 média-metragem, 19 curtas). Nascido em Bangcoc, na Tailândia, em 1970, Apichatpong realiza instalações, obras conceituais, premiado diretor de cinema, é um dos grandes expoentes do cinema mundial. Formou-se em Arquitetura pela Universidade de Khon Kaen em 1994, cidade onde seus pais médicos trabalhavam num hospital. Mas foi nos EUA que estudou cinema, no Art Institute of Chicago, concluindo seu mestrado em 1997. Em 1999, ele fundou sua produtora Kick the Machine e começou a produzir seus próprios projetos e a dar apoio para outros artistas experimentais e independentes na Tailândia. Recebeu a Palmo de Ouro em Cannes 2010. O Indie exibirá seus longas: “Objeto Misterioso ao Meio-Dia” (2000), “Eternamente Sua” (premiado na mostra Um Certain Regard, Cannes, 2002), “As Aventuras de Iron Pussy” (2003), ”Mal dos Trópicos” (prêmio do júri em Cannes 2004), e “Síndromes e um Século” (concorrente na Mostra de Veneza 2006). A retrospectiva trará também quatro programas de curtas, com 20 filmes, selecionados pelo diretor especialmente para o Indie e inédita no país. Dentre os curtas estão os seus trabalhos mais recentes: “Uma Carta para Tio Boonmee” (2009), “Mobile Men” (filme-segmento que faz parte do longa Stories on Human Rights, 2008) e “Pessoas Luminosas” (também um filme-segmento do longa O Estado do Mundo, 2007), além de outros completamente inéditos no país.

INDIE BRASIL > 5 filmes brasileiros. O programa apresenta os documentários “Leite e Ferro”, de Claudia Priscilla (melhor direção e melhor documentário no Festival de Paulínia); “Meu Amigo Claudia”sobre a artista e travesti Claudia Wonder; além de filmes de novos diretores fora do eixo: “Pacific”do pernambucano Marcelo Pedroso e “Viagem para Ythaca”direção coletiva produzida no Ceará. Traz também a estreia na cidade do filme da mineira Marilia Rocha “A Falta que me Faz” .

MÚSICA DO UNDERGROUND > O programa exibe sete documentários sobre música. Destaque para “Nós Não Ligamos Mesmo Para Música”sobre a música de vanguarda feita em Tóquio, o filme participou de vários festivais tais como SXSW, BAFICI, Cinéma du réel, Singapore. E mais “ManOoman”, o impressionante e sensual movimento dancehall na Jamaica; como é ser punk na China (em “Beijing Punk”) e a luta do músico Pat Spurgeon, da banda pop indie Rogue Wave, por um transplante de rim em “D-Tour”. E a amizade vivida na estrada dos amigos músicos Devendra Banhart, Joanna Newsom e Kevin Barker (da banda Vetiver) em “Family Jam”.

CINEMA DE GARAGEM – Trinta e cinco novos realizadores brasileiros, de 10 estados, estão no programa que tem curadoria do videoartista Dellani Lima. O cinema feito sem orçamento nenhum, ou com pequenos incentivos, de forma autoral e inventiva. Dividido em 6 programas traz a diversidade da produção nacional: da geração da videoarte (Kika Nicolela, CarlosMagno Rodrigues), do curta-metragem (Rodrigo Grota, Sávio Leite) até os filmes B do catarinense Petter Baiestorf.
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Festival de Gramado e Kikito eu tenho a ver com isso?


Começa nesta sexta-feira o 38º Festival de Gramado e, novamente, veremos surgir a questão: quando os filmes selecionados para esse tradicional evento serão lançados nos cinemas?

Talvez demore entre seis meses e um ano - prazo habitual para a maioria dos filmes que são exibidos nos festivais brasileiros - talvez bem mais que isso. Talvez nunca sejam lançados nos cinemas. A crise da distribuição no Brasil não é nova, mas é sintomático que um festival como Gramado não consiga emplacar seus filmes no mercado. Aliás, premiações no Brasil são uma vergonha em termos de importância comercial. Todas. Não se salva nem o Festival do Rio, quanto mais o Prêmio Contigo. Tem filme que entra em cartaz mais valorizado pelo que conquistou no Festival do Zimbábue (com todo respeito que essa nação merece) do que em Gramado, Tiradentes, Brasília ou na Mostra de SP.

A culpa muitas vezes nem é dos filmes. Não estou questionando a qualidade do que é produzido para os nossos festivais (aliás, uma mentalidade que tem tomado conta de vários realizadores, que parecem se contentar em fazer um cinema-umbigo, mas essa é outra discussão). A curadoria também não deve ser problematizada a princípio, pois tenho a firme convicção de que cada festival tem que ter sua autonomia e uma identidade bem definida, inclusive tendo a coragem de colocar na seleção filmes de diretores que ninguém nunca ouviu falar. A batata está assando nas mãos do júri, então?

Não. A questão é que festival no Brasil não tem apelo comercial nenhum. Por que os cineastas brasileiros sempre correm atrás para divulgar seus filmes nos festivais estrangeiros? Porque querem respaldar seus trabalhos antes de vendê-los ao público. Mas o inverso nunca ocorre: qual cineasta estrangeiro fica louco para inscrever seu filme em um festival brasileiro? Nenhum, porque colocar "Vencedor do Festival de Gramado" no cartaz não significa nada. Infelizmente. O que falta talvez seja um marketing mais eficiente da própria organização dos festivais. E isso nem aquele que seria o "Oscar brasileiro" tem conseguido fazer.

Só para recapitular: "Corumbiara", de Vincent Carelli, ganhou o Kikito de Melhor Filme e Melhor Direção no ano passado. Não tem previsão de estreia até hoje. Em 2008, quem ganhou foi "Nome Próprio", do Murilo Salles, que já estava em cartaz há cerca de um mês antes da realização do festival. Mas não me parece que vencer Gramado prolongou sua carreira nas salas. Em 2007, "Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais" venceu e levou um ano para chegar ao circuito, e mesmo assim passou em pouquíssimas salas. Se quem ganha o Kikito tem toda essa dificuldade, imagine quem não sai premiado?

Qual desses teremos a chance de ver algum dia?

Longas nacionais que concorrem no Festival de Gramado de 2010:

"180º" – Eduardo Vaisman (Rio de Janeiro)
"Diário de uma Busca" – Flavia Castro (Rio de Janeiro)
"Enquanto a Noite Não Chega" – Beto Souza (Porto Alegre)
"Não Se Pode Viver Sem Amor" – Jorge Durán (Rio de Janeiro)
"O Último Romance de Balzac" – Geraldo Sarno (Rio de Janeiro)
"Ponto Org" – Patricia Moran (São Paulo)
"O Contestado – Restos Mortais" – Sylvio Back (Rio de Janeiro)

Longas Estrangeiros

"El Vuelco Del Cangrejo" – Oscar Ruiz Navia (Colômbia/França)
"Historia De Un Dia" – Rosana Matecki (Venezuela)
"La Vieja De Atras" – Pablo Jose Meza (Argentina/Brasil)
"La Yuma" – Florence Jaugey (Nicarágua)
"Mi Vida Con Carlos" – German Berger (Chile/Espanha/Alemanha)
"Ojos Bien Abiertos: Un Viaje por la Sudámerica de Hoy" – Gonzalo Arijon (Uruguai/Argentina/França)
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Resumão Cannes 2009


"A Fita Branca", de Michael Haneke

Finda a 62ª edição de Cannes, é hora de fazer um balanço dos filmes que foram destaque entre os críticos e que, possivelmente, veremos no Brasil entre setembro e outubro, no Festival do Rio, na Mostra INDIE e na Mostra de São Paulo. Ao contrário daqueles que sempre dizem que "esta é pior seleção de Cannes dos últimos anos", temos um cardápio no mínimo promissor pela frente.

O que segue abaixo é uma compilação dos links que alimentaram a nossa Parabólica durante o festival. Aqueles filmes que já tem previsão de estreia no Brasil possuem essa indicação:

- "A Fita Branca" (competição, Palma de Ouro) - Que Haneke entregaria um filme poderoso, já era esperado. Mas parece que estamos diante de sua obra-prima. "Quando está no auge da forma, o talento artístico de Michael Haneke e o infalível controle sobre seu material são difíceis de bater." "É uma horrorizante descrição da mortalidade." "Um surpreendente e comovente estudo forense sobre o colapso social." Caramba! A Imovision ainda não tem a previsão de estreia no Brasil, mas podemos esperar para o segundo semestre. O filme também ganhou o prêmio da FIPRESCI.

- "Les Herbes Folles" (competição, Prêmio Especial do Júri) - O novo Resnais foi considerado o melhor filme da competição logo quando foi exibido. Disseram: "O filme é um sopro de vida não apenas no festival, mas no próprio cinema." "É mais exuberante do que 'Medos Privados em Lugares Públicos." "Soa como um resumo das melhores coisas da obra de Resnais." Depois de tanto carinho, só nos resta esperar pelo filme. Ainda sem previsão, mas já comprado pela Imovision (que tem o título provisório em português: "As Ervas Daninhas").

- "Anticristo" (competição, Melhor Atriz) - Para o bem e para o mal, foi considerado o filme-escândalo do festival. De "obra-prima" a "desastre", a crítica se divide. Mas de qualquer forma parece mesmo imperdível. Previsão de estreia: agosto (Califórnia Filmes, que promete trazer a "versão original do diretor" - presumimos que seja a mesma de Cannes, mas nunca se sabe).

- "Un Prophète" (competição, Grande Prêmio do Júri) - O filme de Jacques Audiard, apesar de "convencional", chamou a atenção e teve a ovação mais longa do festival (cerca de 10 minutos). Disseram: "Equilibra com sucesso o estilo de um filme de arte com um enredo de filme de gângster."

- "Kinatay" (competição, Melhor Direção) - Se "Anticristo" causou sensações extremas, também o fez o filme de Brillante Mendoza. Foi considerado por Roger Ebert o novo pior filme da história do festival, mas ganhou muitos defensores, "graças ao prazer que nega ao espectador".

- "Enter the Void" (competição) - Novo longa de Gaspar Noé pode não ter impressionado o júri, mas causou celeuma na Croisette, sendo considerado "o único filme de vanguarda na competição". Muito disso se deve à fotografia e ao trabalho de câmera. E se você se lembra da homenagem a Kubrick numa das última cenas de "Irreversível", certamente vai encontrar mais delas aqui. "Quase desafiando a definição de termos cinematográficos contemporâneos, o filme é um selvagem, alucinatório 'mindfuck' para adultos, que mostra seu diretor explorando novas técnicas de filmagem e ambiciosos efeitos especiais para capturar a viagem de um jovem após a morte."

- "Tetro" (Quinzena dos Realizadores) - Disseram que o filme vislumbra a era de ouro de Coppola e é bem melhor do que "Youth Without Youth". É tudo que precisamos saber.

- "Bastardos Inglórios" (competição, Melhor Ator) - Não houve consenso quanto ao novo Tarantino, mas parece notório que o cineasta não fez um filme tão consistente quanto os anteriores. Curiosamente, vários críticos usaram de ambiguidade: "Consegue ser indolente e superexcitado ao mesmo tempo," ou "É o filme mais tedioso de Cannes este ano, e também o mais fascinante, o mais impessoal ao mesmo tempo que é pessoal." Também chamou a atenção o uso de referências ao cinema europeu por parte de Tarantino. Previsão de estreia: 23 de outubro (Universal).

- "À Procura de Eric" (competição) - Apesar de ter saído sem prêmios, a surpresa do festival foi o tom leve do novo Ken Loach. O cineasta britânico teve uma calorosa recepção e chamaram o filme até de "crowd-pleaser" - convenhamos, termo que não se espera de um diretor de obra sisuda. O ex-jogador de futebol Eric Cantona está no elenco e foi quem deu a ideia do enredo. Considere-nos oficialmente curiosos. Previsão de estreia: dezembro (Califórnia Filmes).

- "The Time That Remains" (competição) - Outro que saiu sem nada, mas que ganhou muitos elogios da crítica é este trabalho de Elia Suleiman, uma comédia israelense de humor amargo. A Imovision vai lançar o filme no Brasil, mas ainda não tem data.

- "Fish Tank" (competição, Prêmio do Júri) - Dirigido pela britânica Andrea Arnold (do ótimo "Marcas da Vida"), é comparado a "Aos Treze" e elogiado pela fotografia, atuações e olhar consciente sobre questão social. Porém, parece pecar pela originalidade.

- "Thirst" (competição, Prêmio do Júri) - Park Chan-wook não foi unanimidade (nunca é). Mas parece ter agradado mais do que o normal. Kleber Mendonça Filho escreveu: "Dono de um humor terrível, e lançando mão de todos os efeitos especiais que a sua imaginação põe para excelente uso, cria um senso constante de demência que desconcerta a platéia durante toda a projeção." O filme ainda não previsão de estreia por aqui, mas já foi comprado pela Paris Filmes.

- "Bright Star" (competição) - Jane Campion parece ter feito finalmente um filme à altura de "O Piano", no sentido de chances em premiações. Apesar de não ter ganhado nada em Cannes (deve se sair melhor no BAFTA), surgiu como um dos primeiros favoritos à Palma de Ouro. Disseram: "Felizmente, o filme é livre da histeria geralmente associada a filmes sobre escritores e evita as tendências distrativas que infestam filmes de época britânicos."

- "Dogtooth" (Un Certain Regard, Melhor Filme) - O segundo filme do grego Yorgos Lanthimos chamou a atenção pelas vias do choque. "Se você viu a cena do jantar de família de 'O Massacre da Serra Elétrica' e se perguntou: 'Como eles chegaram a esse ponto?', 'Dogtooth' oferece algumas respostas."

- "Police, Adjective" (Un Certain Regard) - Novo filme de Corneliu Porumboiu ("À Leste de Bucareste") chamou a atenção na mostra paralela e levou prêmio. Já foi comprado pela Imovision para distribuição no Brasil, mas ainda não tem previsão de lançamento.

- "Mother" (Un Certain Regard) - Comentaram que o novo filme de Bong Joon-ho deveria estar na competição. Disseram que é "um melodrama lírico", que tem algo de Pedro Almodóvar. "Bong Joon-ho está fazendo os filmes que Hollywood deveria estar fazendo - formalmente precisos e inventivos, sutilmente engajados, mas sem nunca subverter gêneros populares."

- "Tales from the Golden Age" (Un Certain Regard) - Parece que enfim fizeram uma antologia consistente em todos seus episódios. O filme é escrito por Cristian Mungiu ("4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias") e dirigido por cinco cineastas romenos. Remonta episódios da época em que Nicolai Ceausescu governava o país. ATUALIZAÇÃO: A Imovision anunciou a compra do filme, mas ainda não tem previsão de estreia.

- "I Killed My Mother" (Quinzena dos Realizadores, Melhor Filme) - O filme do canadense Xavier Dolan dividiu opiniões, mas parece ter se saído tão bem no festival porque "reflete uma verdade sobre relações humanas que qualquer espectador pode reconhecer."

- "Like You Know It All" (Quinzena dos Realizadores) - Novo Hong Sang-soo foi bem recebido, apesar de parecer ser um trabalho mais "fácil" do cineasta sul-coreano.

- "Ajami" (Quinzena dos Realizadores) - O filme que encerrou a Quinzena foi visto como "poderoso", "incrivelmente autêntico" e "filmado com precisão."

- "Collin" (fora de competição) - Um achado no mercado do festival, é um filme britânico de horror feito por meras 45 libras estelinas. É sobre um homem que tenta entender porque ele se transformou em um morto-vivo.

- "Father of My Children" (Un Certain Regard) - Segundo filme de Mia Hansen-Love arrancou elogios. Ao que parece, é de arrancar lágrimas.

- "Tsar" (Un Certain Regard) - Eisenstein, Tarkovsky e Sokurov são citados enquanto três críticos comentam o trabalho do cineasta russo Pavel Lungin.

- "Eyes Wide Open" (Un Certain Regard) - Um romance homossexual entre um açougueiro judeu e seu ajudante, com uma direção "impressivamente estudada" e uma "qualidade empírica, até mesmo antropológica". Uau.

- "Hierro" (Semana da Crítica) - Da Espanha, vem mais um filme de suspense da safra Guillermo del Toro. "Embora não seja isento de problemas, é absolutamente deslumbrante de se assistir do começo ao fim."

- "Up - Altas Aventuras" (fora de competição) - Alguns críticos chegaram a considerar o filme da Pixar o melhor do ano até agora. Será mesmo para tanto ou o pessoal ainda está seguindo no vácuo de "WALL•E"? Previsão de estreia: 04/09 (Disney)

- "A Town Called Panic" (fora de competição) - "Up" não foi a única animação a ganhar elogios no festival. "Imagine a franquia 'Toy Story' acrescida da sensibilidade perversa de 'South Park' e feita com uma meticulosa técnica de stop-motion."

- "The Imaginarium of Doctor Parnassus" (fora de competição) - O filme encantou pelo visual, mas como tem ocorrido com os últimos trabalhos de Terry Gilliam parece não convencer pela história. Pode ser que agrade somente os fãs do cineasta.

- "Visage" (competição) - O novo Tsai Ming-Liang também parece agradar somente os fãs "hardcore" do cineasta.

E agora, as decepções:

- "Los Abrazos Rotos" (competição) - Parece consenso entre os críticos que o novo Almodóvar é uma repetição de estilo do cineasta. "O diretor parece estar confinado nele mesmo." Previsão de estreia: 20 de novembro (Universal).

- "Vengeance" (competição) - Johnnie To entregou o visual caprichado de sempre, mas os críticos não parecem ter sido cativados pela história. Talvez seja um sinal de problema quando os mesmos adjetivos começam a se repetir em textos diferentes.

- "Taking Woodstock" (competição) - O novo Ang Lee "parece um esquete de duas horas do 'Saturday Night Live', e nem é dos melhores." Não pára aí: "Agradável em algumas partes, mas meramente insípido em outras. Parece uma digressão menor de Ang Lee entre trabalhos mais memoráveis." Ouch. No entanto, Luiz Carlos Merten seguiu aqueles que aderiram à proposta mais leve do cineasta (previsão de estreia: 18/09 (Universal).

- "Agora" (competição) - Novo trabalho de Alejandro Amenabar não empolgou, apesar de elogiado por seu visual, típico de um épico de Cecil B. Demille. Mas teve gente que gostou.

- "Maps of the Sounds of Tokyo" (competição) - Talvez o filme de pior recepção entre os concorrentes à Palma de Ouro, o novo filme de Isabel Coixet foi considerado por muitos "bonito de se olhar", mas inócuo. "É brilhante e vazio como uma bolsa de mão Prada em uma prateleira de botique."

- "Don't Look Back" (fora de competição) - Mesmo com Monica Bellucci e Sophie Marceau, parece ser um David Lynch que não deu certo. Uma pena, visto que o filme anterior da diretora Marina de Van, "In My Skin", é muito bom.

BRASIL EM CANNES

"À Deriva", como você provavelmente já sabe, recebeu ovação de quase 5 minutos em sua sessão de gala na Un Certain Regard. Foi bem recebido de uma forma geral, mas recebeu algumas críticas negativas - a mais severa comparando o filme de Heitor Dhalia a um episódio estendido da série "The O.C.". Aqui está uma compilação de opiniões.

Já "No Meu Lugar", de Eduardo Valente, exibido fora de competição, não teve a mesma sorte. Não sei se foi pouco comentado ou causou pouco frisson mesmo, mas as duas principais publicações internacionais de entretenimento cobrindo Cannes viram a produção brasileira com reservas. A Variety disse que depois de passar muito tempo construindo as personagens, Valente permite que tudo entre em colapso ao seu redor com um final totalmente fora de sincronia com o que veio antes." Já o Hollywood Reporter afirmou que, apesar de este ser uma falha, vale a pena ficar de olho nos futuros filmes que Valente vier a fazer. Tentei achar se a Cahiers du Cinéma assistiu ao filme, mas não localizei o texto. A propósito: o título em inglês é "Eye ot the Storm" (algo como "O Centro do Furacão"). Alguém sabe o motivo?

COBERTURAS

Para encerrar, deixo algumas dicas para quem quiser ir mais fundo na cobertura de Cannes 2009. Como você já deve ter percebido, o blog The Daily, mantido pelo site da distribuidora independente IFC, é nossa referência principal todos os anos por reunir numa mesma página opiniões de diversos críticos. É bem organizado e abrangente, graças ao exemplar trabalho do ex-Greencine David Hudson. Clique aqui para acessar o índice da "cobertura da cobertura" feita por ele, ordenado por filmes e mostras.

Entre os brasileiros, Kleber Mendonça Filho novamente fez o melhor trabalho, tanto pelas opiniões consistentes quanto pela abragência da cobertura, contando o que rolou de principal nas coletivas e ainda postando fotos e vídeos. Enquanto o CinemaScópio não volta em sua forma definitiva, vale a pena acompanhar o blog criado pelo Kleber especialmente para Cannes. Clique aqui.

Para mais opiniões em português, vale conferir ainda as coberturas da Filmes Polvo e da Cinética (esta feita pelo mesmo Eduardo Valente que estava apresentando filme).

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Mostra Usina Digital em BH; bônus: Michel Ocelot no Brasil

A distribuidora mineira Usina Digital dá início nesta sexta-feira a uma mostra retrospectiva dos filmes lançados por ela em 2008. São três produções mineiras: "Fronteira", do Rafael Conde, "5 Frações de uma Quase História", direção coletiva, e "Andarilho", do Cao Guimarães. Os ingressos tem preço único e popular: R$ 5. As sessões acontecem durante toda a semana no Cineclube Unibanco Savassi (Rua Levindo Lopes, 358, na Savassi). Confira abaixo os horários:

22/05 sexta-feira
18:20 ANDARILHO
19:50 FRONTEIRA
21:30 5 FRAÇÕES DE UMA QUASE HISTÓRIA

23/05 sábado
21:30 FRONTEIRA

24/05 domingo
21:30 ANDARILHO

25/05 segunda-feira
21:30 5 FRAÇÕES DE UMA QUASE HISTÓRIA

26/05 terça-feira
21:30 ANDARILHO

27/05 quarta-feira
21:30 5 FRAÇÕES DE UMA QUASE HISTÓRIA

28/05 quinta-feira
21:30 FRONTEIRA

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MOSTRA DE CINEMA INFANTIL

Apenas para dar o toque, o cineasta francês Michel Ocelot, criador do personagem Kiriku e dono de uma premiada filmografia em animação (é dele também "Azur e Asmar"), vem ao Brasil pela primeira vez para participar da 8ª edição da Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis. Quatro longas do diretor, além de curtas lançados recentemente em DVD na França estão na programação, que deslancha a partir do dia 26 de junho. Ocelot vai dar uma palestra sobre animação no dia 10 de julho. Além da exibição de seus filmes, também serão expostos cartazes e storyboards de seus trabalhos. Mais informações sobre a mostra no site oficial.
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Mostra de Cinema de Tiradentes – momentos e impressões (parte 2)


Em meu segundo, e infelizmente último, dia de mostra (domingo, 25), resolvi não assistir a sessão de curtas infantis depois da decepção que tive com os curtas do dia anterior. Cheguei ao Cine Tenda para acompanhar a Série Especial: Retratos de curtas digitais. Enquanto esperava na fila, alguns pais saíam com os filhos (a maioria bem pequenos) antes do fim da sessão.

Pouco tempo depois, uma multidão de crianças e alguns adultos desocuparam a sala. Assisti a três documentários bem razoáveis que, como numa escala, foram melhorando sensivelmente do primeiro ao último. O primeiro, "Miró: Preto, Pobre, Poeta e Periférico", de Wilson Freire, me deu vontade de sair, como aquelas crianças que eu tinha visto há pouco. O estilo de narração do protagonista quando está declamando suas poesias me lembrou aquelas pessoas que entram no ônibus para pedir ajuda, vender canetas, adesivos para clínicas de recuperação de dependentes químicos. Não tenho nada contra essas clínicas, mas esse discurso ensaiado e a fala excessivamente dramática chegam a gerar um desconforto para meus ouvidos.

Apredinda a lição, permaneci na sala quando a série acabou. Em 30 minutos começaria “A Concepção” (crítica em breve), de José Eduardo Belmonte. Sabia que era um filme polêmico e que alguns julgaram apelativo. Mas, eu achei genial! Fiquei me perguntando se os concepcionistas realmente existem, ou se já existiram... É o tipo de filme que é quase impossível sair do cinema com a cabeça “vazia”. Todos saíam calados. Pareciam estar digerindo o que tinham acabado de ver.

Saí de lá ainda pensando sobre “A Concepção” e, pouco depois, estava na praça para ver o filme que mais despertou meu interesse entre todos da programação de Tiradentes: “Contratempo” (crítica em breve), de Malu Mader e Mini Kerti. Há algumas semanas vi a Malu falar sobre o longa no Altas Horas. Fiquei com vontade de assistir. Quando saiu a programação da mostra torci para estar lá no dia da exibição.

Antes do filme começar, Malu Mader chegou. Todos queriam falar com ela, tirar fotos ou pelo menos vê-la bem de perto. Aproximei-me para acompanhar uma entrevista que ela dava à TV da Mostra. Naquele momento, já ficou claro que ela estava ali para cumprir agenda. Ela foi apresentada ao público, falou sobre seu documentário, sobre a ausência dos Titãs no dia anterior e, confirmando a impressão que tive, falou sobre a alegria da banda em poder exibir o longa num ambiente tão descontraído.

Antes da metade do filme Malu Mader foi embora e “levou” com ela muitas pessoas que estavam na praça. O número de espectadores que foi se levantando depois da partida da estrela global me impressionou, tanto quanto o excesso de atenção da produção da mostra para com ela (parecia até incomodá-la). Tenho que admitir que a atitude dessas pessoas chegou a me causar certa revolta. Afinal, eu estava diante de um filme sensível, bonito, engraçado... Tudo ao mesmo tempo e sem apelar ou explorar a realidade de seus protagonistas. Um filme honesto e melhor do que tudo que já vi Malu fazer como atriz.

Terminei a noite com o belo som da orquestra formada pelos muito bem selecionados personagens de “Contratempo”. Uma ótima maneira de fechar minha breve passagem por Tiradentes.
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Mostra de Cinema de Tiradentes - um protesto em prol das crianças


Todo ano a programação da Mostra de Cinema de Tiradentes voltada para o público infantil chama minha atenção. A exibição de longas inéditos é algo raro. Este ano ainda podemos agradecer por não ter aparecido nada da Xuxa e do Didi por lá.

Sem falar nos curtas. Os que pude ver são filmes que uma criança com menos de oito ou nove anos não compreende. Entender já é difícil, gostar deles é ainda mais complicado. Falta cor, falta vida, falta alegria. São filmes COM crianças, mas não são feitos para elas. Colocam os pequenos dizendo frases que nenhuma criança diria – a não ser que ela seja um gênio, superdotada.

Para compensar a falta de qualidade, balas são distribuídas na entrada, balões na saída, personagens fazem brincadeiras antes do início das exibições. Os pequenos se empolgam, fazem festa e brincam o tempo todo. Em alguns momentos fica até difícil ouvir o que os personagens do filme estão falando. Passar ao lado do Cine Tenda já era o suficiente para ouvir o filme rolando e a meninada gritando e batendo os pés no chão.

No fim da sessão, elas saem com os balões nas mãos. Algumas, parando um pouco para observar é possível perceber, não são turistas. Talvez estejam assistindo a filmes numa tela de cinema pela primeira vez. O encantamento delas chega a me fazer esquecer, por algum tempo, meu descontentamento com a programação infantil, mas não chega a justificar. Tem quem diga que o problema não está em Tiradentes, mas na indústria cinematográfica brasileira que não investe no público infantil. Se isso é verdade, deixo aqui meu protesto em prol de um cinema de mais qualidade para o bem dos nossos pequenos, e dos adultos que os acompanham.

Pensando um pouco, os números de público dos filmes da Xuxa já são um bom indicativo de que não vamos nada bem nesse ramo.
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Mostra de Cinema de Tiradentes - momentos e impressões (parte 1)


Quando cheguei a Tiradentes para a 12ª. mostra de cinema no último sábado, dia 24, o tempo estava nublado. Por volta do meio-dia o movimento pequeno de turistas chamou minha atenção. Primeiro pensei que o tempo ruim tinha feito com que alguns desistissem da viagem. Quando fui assistir à sessão de curtas infantis no início da tarde, cheguei a pensar que a programação repleta de trabalhos de novos e desconhecidos diretores poderia ter contribuído para o público, não pequeno, mas menor do que vi em minha última visita à mostra.

No fim da tarde, assisti a um ótimo filme do diretor homenageado, José Eduardo Belmonte, “Subterrâneos” (crítica em breve). Sessão praticamente lotada. As pessoas estavam chegando. Tudo indicava que o público estava chegando aos poucos a Tiradentes. Acabada a sessão – que teve início por volta das 18h – meu estômago já dava sinal de vida. Mesmo vendo que algumas pessoas não abandonariam a sala, já na espera para o próximo filme (“A Festa da Menina Morta”), deixei a sala. Logo que sai da sessão me deparei com uma fila tão grande que só depois de seguir por algum tempo avistei seu final. A sala, com capacidade para 600 pessoas, abrigaria todos aqueles que já estavam na fila, mesmo assim era muita gente. Achei melhor esquecer a fome e encarar.

Tudo que pensei no início foi completamente o oposto do que aconteceu com a cidade nesse segundo dia de mostra. O Cine Tenda ficou pequeno para a quantidade de turistas que Tiradentes recebeu. No fim de “Subterrâneos”, mais pessoas do que eu imaginava optaram por ficar dentro da sala. Como resultado, mais da metade dos que estavam na fila, incluindo eu, não conseguiram entrar para ver o filme.

Agora não tinha mais o que fazer, poderia ir assistir ao filme dos Titãs no Cine Praça, mas faltava pouco menos de uma hora para o início. Era a hora de fazer uma pausa e comer algo, certo? Errado! Quando me encaminhava para a lanchonete da tenda vi Murilo Grossi (protagonista de “Subterrâneos”) ao lado da atriz Rosanne Mulholland e algumas pessoas que eu desconhecia. Tinha algumas curiosidades sobre o filme... Talvez essa pudesse ser uma boa oportunidade para uma entrevista. E era. Depois de uma conversa rápida, os amigos do ator já tinham partido para o restaurante onde iriam jantar. Resolvi terminar nossa entrevista e ir para a praça. Carros, pessoas, mesas, cadeiras e muito estrume disputavam cada espaço do Centro de Tiradentes. Quando cheguei ao local de exibição de “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” (crítica em breve também) todos os assentos estavam ocupados, algumas pessoas já buscavam lugar na grama, outras de pé. Sentei-me na mureta de um canteiro, assisti ao filme (com um galho de árvore na minha frente tampando uma parte da tela) e ao mesmo tempo matei a bendita fome.

Não duvido que “A Festa da Menina Morta” seja um filme melhor, mas ver uma sessão de cinema com pessoas sentadas nos capôs dos carros, em cima das árvores, nas mesas dos bares... Todos acompanhando um documentário foi uma experiência diferente. Gente dançando, gente cantando, gente bebendo. Tudo combinando perfeitamente com o espírito da banda. No fim, aquilo me pareceu mais um show do que uma projeção cinematográfica. Ainda bem, porque, enquanto documentário, “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” deixa muito a desejar, mas quando o assunto é a música sou fã do grupo. E música é o não que falta no filme.
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O INDIE pulsa

Já está rolando nas salas do Usina em BH, e também no Cine Humberto Mauro, a programação do INDIE 2008 (site). Esta é uma das mostras mais particulares do calendário nacional, já que grande parte de sua seleção comporta filmes que não serão vistos em outros lugares, seja em festivais, seja no circuito comercial, seja em DVD.

Nesse espírito de “veja no INDIE ou não veja nunca” (“nunca” é exagero, já que hoje a internet é um meio de distribuição de fato), esta oitava edição da mostra tem uma característica destoante dos anos anteriores. E isso para o bem, do ponto de vista curador da coisa toda.

Se já tivemos INDIEs com uma cartela de filmes badalados, certezas de filas até o fim do quarteirão, em 2008 cabem numa mão os longas que chegam laureados por suas passagens em festivais anteriores e também pela fama de seus diretores. São eles, “O Silêncio de Lorna”, dos irmãos Dardenne, e “A Fronteira da Alvorada”, de Philippe Garrel. Há também o novo documentário de Eryk Rocha, “Panchamama”, e o vencedor da categoria no Oscar deste ano, “Táxi Para a Escuridão”.

No mais, os programas do INDIE 2008 incluem em grande número títulos de cineastas emergentes, que estão em seus primeiros ou segundos filmes. Outros já possuem uma filmografia, mas esta é desconhecida fora do circuito de festivais ou em mercados que não sejam os de seus países de origem – como é o caso dos alemães da Nova Escola de Berlim.

O INDIE está mais indie do que nunca este ano. O convite é para o cinéfilo se tornar um aventureiro, montar sua programação no escuro e descobrir novos cinemas. Até o fim da mostra, e depois também, o cinematório fará o relato de seus achados. Para localizar os filmes comentados, consulte o índice abaixo:

- Amantes
- Anywhere, USA
- Ato de Violência
- Bangalô
- Como Ser
- Destino Traçado
- Entardecer
- FIX
- Gesto Obsceno
- Hannah Takes the Stairs
- Harrison Montgomery
- Pan-Cinema Permanente
- Rio
- O Silêncio de Lorna
- Táxi Para a Escuridão
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Mostra do Cinema Japonês: Três por três

Três filmes exibidos dentro da Mostra do Cinema Japonês, que acontece até o próximo dia 9 em Belo Horizonte, têm em comum temas e abordagens. “O Ferrão da Morte”, de Kohei Oguri (foto acima), “A Música de Gion”, de Kenji Mizoguchi, e “A Luta Solitária”, de Akira Kurosawa, foram produzidos em décadas diferentes (90, 50 e 40, respectivamente), mas convergem na forma como seus diretores exploram o drama de seus personagens, afirmando um estilo muito próprio do cinema nipônico.

Nos três, uma situação importuna é dividida basicamente por duas pessoas. Em 1953, no pós-Guerra, Mizoguchi narra o dilema de duas gueixas incertas sobre reclamar seus direitos e seguir as regras de conduta da profissão. Uma das mulheres, Miyoharu, é mais experiente, enquanto sua aprendiz, Eiko, com meros 16 anos, reluta em obedecer cegamente às vontades dos executivos que as contratam para servi-los, entretê-los e, em certos casos, algo mais.

Ao colocar em debate o paradigma de uma tradição tão forte, especialmente numa época em que o feminismo ainda não estava difundido com toda sua força (o que só viria a acontecer na década de 60), Mizoguchi concentra a carga dramática na angústia de Eiko e Miyoharu, após um incidente em que Eiko feriu um cliente que tentara abordá-la. Uma delas há de colocar a dignidade em cheque para que ambas não acabem na pobreza. E o diretor mantém a elegância na filmagem o tempo inteiro. Raramente move a câmera e, quando o faz, como na cena do estupro, impressiona pela habilidade com que monta um plano-seqüência em dois ou três tempos.

Aproximando-se de “A Música de Gion” na forma, basicamente construindo planos fixos que privilegiam a composição do quadro (dificilmente irá se ver mais que um travelling), em “O Ferrão da Morte”, Oguri retrata o esforço de um casal em não deixar a família desfalecer após o marido cometer uma traição. O que importa ao cineasta não é a infidelidade em si, mas a assombrosa conseqüência da quebra de confiança entre marido e esposa. Narrado sob uma atmosfera sombria, com muitos planos escuros e trilha sonora pesada, o longa é praticamente a história da sobrevivência daquele casal. Em certo momento, eles surgem tão atormentados pelo desconforto da relação, que parecem querer romper as grades da porta da frente de casa. Só que, ao fundo, estão os dois filhos pequenos, responsabilidade da qual não podem simplesmente fugir.

A correlação entre sexo (estupro, traição) e dignidade também está presente em “A Luta Solitária”, onde um Kurosawa pré-“Rashomon” conta a história de um médico que contrai sífilis de um paciente durante uma cirurgia. Como está na espera há seis anos para se casar com sua prometida e constituir família, sua enfermidade se torna um forte dilema, já que ele não saberia explicar facilmente como adquiriu uma doença sexualmente transmissível sem sexo. Num desabafo, o médico expõe para uma colega de trabalho toda a dor que vinha acumulando, logo quando decide renunciar ao matrimônio para o qual vinha se guardando. Sua moléstia é a manifestação física do embate moral/carnal observado em “A Música de Gion” e “O Ferrão da Morte”.

São essas congruências que fazem de uma mostra uma experiência tão diversa. É o momento em que o público pode assistir a filmes de autores variados, contemporâneos ou não, e traçar um panorama sobre determinada filmografia. No caso, a Mostra do Cinema Japonês não se concentra apenas nos temas aqui observados. Esta é apenas uma coluna entre tantas outras que sustentam um cinema autoralíssimo e tão versátil, que não se prende a um só gênero ou técnica – indo do drama intimista ao animê pós-apocalíptico – para se fazer reconhecer.
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Festival do Rio 2008: O tempo abriu

Já estou em Belo Horizonte, onde a maratona de filmes continua com as Mostras INDIE e do Cinema Japonês, como antecipei alguns posts atrás. No Rio, a qualidade dos filmes não melhorou muito, mas em relação aos primeiros que já resenhei aqui (irmãos Coen e Charlie Kaufman são as exceções), deu para aproveitar mais. E, felizmente, o tempo abriu. Assim, o vôo de volta ofereceu uma bela vista do litoral carioca na decolagem.

Sem delongas, abaixo estão mais algumas atrações do Festival. Mas não acabou. Tenho coisas não muito boas a falar sobre "Última Parada 174" e "Noites de Tormenta" e ainda irei comentar outros filmes (alguns, como os novos dos irmãos Dardenne e de Philippe Garrell - cujo cinema ainda não me afeiçoa - também estão no INDIE, portanto as coberturas vão se misturar em algum momento).

O Bom, o Mau, o Bizarro (Joheunnom nabbeunnom isanghannom ou The Good, the Bad, and the Weird, 2008, Coréia do Sul), de Kim Ji-woon. Novo trabalho do diretor do ótimo "O Gosto da Vingança" é, principalmente, uma comédia de ação. Faz sátira e ao mesmo tempo homenagem ao western. Funciona melhor quando é sátira, já que na homenagem se limita a quase parodiar cenas do clássico “Três Homens em Conflito”, cujo título original ("O Bom, o Mau e o Feio") já serve como piada. Também por isso, em alguns momentos Ji-woon se excede e tenta ser Tarantino demais (chega até a usar a música “Don’t Let Me Be Misunderstood”, do Santa Esmeralda, já escutada em "Kill Bill: Volume 1"). De qualquer forma, as cenas de ação são na maioria satisfatórias, com boa e hábil movimentação da câmera em meio às coreografias no set (algo já observado no magnífico tiroteio final de "O Gosto da Vingança"). Incomodam um pouco as cores saturadas – utilizadas propositalmente para realçar o aspecto histriônico do filme – embora isso não comprometa o senso de composição dos planos. Dos personagens, só o “Mau” (Lee Byung-hun) é que não convence, pois parece mais uma caricatura afetada de Lee Van Cleef. Já os outros dois, o “Bom” (Jung Woo-sung) e o “Bizarro” (Song Kang-ho), funcionam melhor, talvez por formarem uma dupla, como acontece com Clint Eastwood e Eli Wallach no filme de Sergio Leone. Mas quem rouba a cena mesmo é o “Bizarro”. É uma diversão descompromissada, que se leva menos a sério do que o título pressupõe pela responsabilidade da referência. nota: 7/10 -- vale o ingresso

Um Conto de Natal (Un conte de Noël, 2008, França), de Arnaud Desplechin. No que parece ser uma “versão cabeça” de “Tudo em Família” (aquela comédia dramática hollywoodiana com Diane Keaton, Sarah Jessica Parker e Luke Wilson), o novo filme de Arnaud Desplechin (“Reis e Rainha”) utiliza o típico enredo natalino: parentes se reúnem, mágoas engasgadas vêm à tona, relações rompidas são recuperadas. A diferença para a produção americana está, obviamente, no desenvolvimento dos personagens e na profundidade que o francês atinge no estudo das interações daquelas pessoas. O estilo de direção também é muito mais refinado, com Desplechin utilizando desde íris (para concentrar a atenção do espectador em determinado ponto do quadro) a split-screen – técnicas que hoje em dia não se vê com tanta freqüência. O ponto fraco fica por conta da longa duração. Por mais que você se envolva com o drama dos personagens, chega um ponto em que a sensação é de estar numa ceia de Natal de uma família que não é a sua. A companhia pode ser agradável, mas é desnecessário passar o dia inteiro com eles. nota: 6/10 -- vale o ingresso

Cavalo de Duas Pernas (Asbe du-pa ou Two-Legged Horse, 2008, Irã), de Samira Makhmalbaf. Não se via um cineasta ser tão impiedoso com seu protagonista provavelmente desde Mel Gibson em “A Paixão de Cristo”. O título do novo filme de Samira Makhmalbaf (“A Maçã”, “Às Cinco Horas da Tarde”) se refere a um menino pobre, com claros indícios de deficiência mental, que aceita um “emprego”: carregar nas costas um garoto rico que perdeu as duas pernas. Os dois atravessam a relação empregado-patrão e, após desentendimentos, desenvolvem uma amizade no mínimo excêntrica. Afinal, o menino pobre aceita toda a submissão que o garoto rico lhe impõe. E numa desesperada atitude para sair do buraco onde vive e ser reconhecido por alguém, ele aceita se tornar (atenção: literalmente!) um cavalo. Sim, com direito a sela, ferradura, alfafa e, acreditem... Bom, mesmo sendo o fim da picada o desprezo ao qual o menino é submetido ao final, não me sinto no direito de descrever spoilers. O provável objetivo de Samira é mesmo o da denúncia social, mas fazê-la por meio de tanto sofrimento, para infligir no espectador algum sentimento de culpa ou mesmo compaixão, não é algo que deva ser aplaudido. nota: 1/10 -- pura perda de tempo

Liverpool (2008, Argentina/França/Holanda/ Alemanha/Espanha), de Lisandro Alonso. Este filme do argentino Lisandro Alonso traz provocações suficientes para gerar uma mesa-redonda dedicada a ele. “Liverpool” é estética pura, com enquadramentos milimetricamente organizados e fotografados sob um prisma contemplativo muito belo, seja no porão de um navio, numa cozinha de hotel ou numa paisagem bucólica da extremidade sul-americana do arquipélago de Tierra del Fuego. É um filme aquário, onde a câmera raramente se move, desafiando o público a prestar atenção às mínimas ações dos personagens ou mesmo ao “nada” que paira na tela. Sim, este é daqueles filmes “sem história”. E Alonso faz do espectador um expectador até o último plano, deixando-o na espera de que algo aconteça que justifique a viagem do protagonista para ver a mãe, ou até mesmo o significado do título. Embora seja difícil (ou nem tanto), “Liverpool” conta, sim, uma história e constrói significados. O que o diretor pede é paciência e atenção da platéia. Não é muito. E vale a pena. nota: 7/10 -- veja sem pressa (mesmo)
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Festival do Rio 2008: Frio, frio, frio...


O frio impera no Rio. Eu, que nem me preocupei em trazer uma blusa, tive que comprar um casaco barato, só para quebrar o galho. E no Festival eu diria que as coisas não esquentaram muito no sábado e no domingo. Talvez eu que tenha me programado mal. Já me arrependi por não ter optado por "A Fronteira da Alvorada", do Philippe Garrel. Ou pela versão restaurada de "O Poderoso Chefão", que, pelo que Lucas do cinemaCAFRI.com me contou, foi uma sessão histórica, com direito a seguranças para proteger a cópia saída do armário de Francis Ford Coppola.

Bom, deixo vocês com mais três pequenas resenhas. Não pude publicar ontem porque as lan-houses estavam fechadas. Era domingo, Renato! Fico devendo ainda outras, incluindo crítica de "Sinédoque, Nova York", de Charlie Kaufman, que ainda estou pensando se gostei. OK, gostei. Mas é um filme que precisa de revisões (é, no plural). Tenho que ir para a cabine de "Última Parada 174", do Bruno Barreto. Depois pego meu vôo para BH. Volto com mais em breve.

O Amor Chega Tarde (Love Comes Lately, 2007, Alemanha/Áustria/Estados Unidos), de Jan Schütte. Chega perto do que seria um Woody Allen octogenário. Tem um humor mais intelectualizado, aborda questões do cotidiano do personagem, suas neuras, seus medos... Só que não é engraçado e irônico como Allen. Só faz lembrar, até mesmo nos trejeitos do protagonista, o escritor Max Kohn (vivido por Otto Tausig), cuja vida se mistura com a de um de seus personagens. As risadas mais fortes da platéia surgiram em duas ou três ocasiões. Na maior parte do tempo, foi um riso tímido. De qualquer forma, é um drama cômico a que você assiste com segurança, já que ele não oferece grandes surpresas ou reviravoltas. O filme tem uma abordagem OK sobre a questão da idade, mas não é nada que já não foi feito de maneira melhor (como, por exemplo, em "As Confissões de Schmidt"). nota: 5/10 -- veja sem pressa

Sujos e Sábios (Filth and Wisdom, 2008, Reino Unido), de Madonna. Existe um motivo pelo qual Madonna não dirige seus próprios videoclipes, e esta sua estréia como cineasta (até dói dar-lhe esta atribuição) nos diz tantas coisas sobre o porque de ela não ter se arriscado nessa carreira antes. Mas agora que já o fez, por favor, Madonna, volte a se concentrar em sua carreira musical, que já não anda tão boa. Não sei se o pior é a direção, que praticamente pede desculpas ao espectador por ser tão amadora (pelo visto, Guy Ritchie estava ocupado demais para dar uma mão à esposa), ou se é o roteiro, repleto de baboseiras que saem da boca dos personagens como se fossem filosofias profundas e existenciais. Não existe história. São esboços de tramas tão superficiais quanto aqueles que as movem. E para uma artista que vive de música, porra, pelo menos a trilha sonora deveria ter algo de bom. "Sujos e Sábios" parece ser apenas um capricho de Madonna, feito para ela mesma e seus amigos. Antes fosse realmente isso, e sua exibição ficasse restrita à sala de TV da casa dela. nota: 2/10 -- pura perda de tempo

Fomos à Terra dos Sonhos (We Went to Wonderland, 2008, China/Reino Unido), de Guo Xiaolu. Seguindo um estilo documental, o filme recusa-se em vários momentos a mostrar algo interessante, engraçado ou mesmo bonito, ao contrário de tantos outros nesse estilo que buscam ficcionalizar os fatos para tentar não entediar o espectador (ou seja, alguma coisa TEM que acontecer na tela). Em muitas cenas, o que vemos é apenas o casal de velhinhos numa rua, andando para lá e para cá, ou sentados no quarto, ou andando por um campo. A diretora - que também é personagem - não está necessariamente preocupada em contar uma história. A todo momento ela poupa o espectador das ilusões que a linguagem pode provocar, como por exemplo ao filmar os bilhetes que seu pai escreve (ele perdeu a voz devido a uma cirurgia na garganta). E mesmo quando ela utiliza letreiros para representar os "pensamentos" daquele senhor, ela o faz de forma precária, só com a frase piscando na tela. Apesar dessa proposta interessante e de um humor velado, mas bem utilizado (presente principalmente na crítica que aqueles chineses fazem ao Reino Unido), "Fomos à Terra dos Sonhos" não é necessariamente um filme agradável de se ver. Quem esperar um "road movie", irá se decepcionar profundamente. nota: 6/10 -- veja sem pressa
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Festival do Rio 2008: Um pouco mais de sal, por favor


Meu primeiro dia de Festival do Rio não foi dos mais empolgantes. Na verdade, o clima geral nos cinemas não está muito animado. Talvez pelo céu nublado e o frio (choveu ontem), as pessoas estejam escondidas. Mas, à exceção da sessão de "Queime Depois de Ler", dos irmãos Coen, que lotou o Odeon (ah, que cinema!), as outras em que consegui entrar estavam muito, muito calmas.

O dia já começou um pouco ruim para mim, porque não consegui chegar a tempo para a sessão de "Gomorra", que depois fiquei sabendo que foi a mais procurada do dia. No lugar, fui ver "O Sangue Brota", o que não valeu muito. Antes, porém, tive o prazer de finalmente conhecer pessoalmente meus "amigos virtuais" (ainda se usa essa expressão?) Guilherme Martins e Filipe Furtado. Nos conhecemos há 10 anos no saudoso canal #cinefilo, do mIRC, mas desde então só mantemos contato pela internet. Ambos fazem parte da Liga dos Blogues Cinematográficos também. Batemos um papo rápido, mas foi ótimo.

Não vou ficar detalhando todos os meus passos aqui, e creio que também não conseguirei escrever críticas de tudo que eu ver agora. Mas vou tentar, pela manhã, vir aqui e redigir o máximo que eu puder. Por exemplo, já consegui esboçar uma crítica de "Queime Depois de Ler", que está no post logo abaixo deste. Sobre os outros dois filmes que vi, serei breve:

"O Sangue Brota" (La Sangre brota, 2008, Argentina/Alemanha/França), de Pablo Fendrik. Um tanto pretensioso, eu diria. São duas histórias paralelas, ligadas pela premissa de um homem que está nos EUA e precisa de dinhero. Seu irmão mais novo é um rapaz rebelde (com direito a casaco de couro e trilha sonora de guitarra) e acaba que sua trama é a mais cativante, muito devido a seu relacionamento com uma garota mais nova. O pai dos dois irmãos, um taxista, se envolve em situações pouco comuns e, assim, o filme se desenvolve quase como se fosse 2 em 1. Já mais perto dos 30 minutos finais, quando as duas tramas se aproximam, as coisas melhoram. O diretor Pablo Fendrik usa muito planos de detalhe, como forma de descrever as ações. Também utiliza muitos primeiros planos, quase que encostando nos rostos dos atores. Usa poucos diálogos também, o que é bom. A prima distante do protagonista (que se revela uma baita duma sacana, no fim das contas) quase não abre a boca. Fendrik mostra que sabe dirigir, mas o problema é que a história que ele conta não diz muita coisa, apesar de ter seus momentos chocantes justamente quando "o sangue brota". Mas no fim não me agradou muito não. nota: 5/10 -- veja sem pressa

"Sereia" (Rusalka, 2007, Rússia), de Anna Melikyan. Este é o filme escolhido pela Rússia para disputar o próximo Oscar de Filme Estrangeiro. É uma comédia dramática, um "growing up tale", sobre uma menina que vive com a mãe e à espera do pai que não conhece. Ela sonha em ser bailarina, mas a mãe quer que ela cante em um coral. Acompanhamos seu crescimento desde bebê até os 18 anos. Esta passagem do tempo acaba sendo um tanto dolorosa e cansativa, já que a diretora opta por uma narrativa episódica que tenta ser engraçadinha, mas não funciona muito. A atriz Masha Shalaeva, que faz a protagonista, não é muito carismática. E convenhamos: por mais que o filme tente se aproximar de uma fábula, não consegui sentir o mínimo de simpatia pelos personagens. A diretora Anna Melikyan acaba se saindo como um Wes Anderson que deu errado, utilizando travellings a torto e a direito e povoando seu filme com uma excentricidade que em vários momentos se converte em constrangimento. nota 3/10 -- não se culpe por não ver
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