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O Artista


Quando eu soube que "O Artista" era um filme mudo, logo suspeitei de tudo não passar de uma desculpa para usar o formato apenas para fazer um filme à moda antiga nos dias de hoje. Felizmente, não se trata disso.

Michel Hazanavicius já havia demonstrado carinho por um passado cinematográfico com os filmes do Agente 117 (ele dirigiu dois: um em 2006 e outro em 2009, ambos também com os atores Juan Dujardin e Bérénice Bejo; o mais recente inclusive se passa no Brasil, mas não foi lançado aqui). Em "O Artista", ele volta ainda mais no tempo, mas a graça toda do filme é que o cineasta não está só emulando o cinema mudo.

A revelação se dá numa sequência de sonho do protagonista (Dujardin), um astro dos filmes da época, fim dos anos 20, que se vê surpreendido pela decisão dos estúdios em aposentá-lo dado o advento do cinema falado. Até ali, "O Artista" parece mesmo só imitar um filme mudo, mas Hazanavicius usa com inteligência a metalinguagem para mostrar a quê realmente seu filme veio.

Ao mesmo tempo em que é uma homenagem, "O Artista" é um comentário sobre a troca de tecnologias e a sobreposição do mais novo sobre o consagrado.

Primeiro, temos um modo de fazer cinema que é abandonado pelo estúdio e pelo público por uma razão meramente tecnológica e mercadológica (o simples ato de falar, o diálogo "físico", digamos, como fica claro, não é uma necessidade para se narrar um bom filme).

Depois, temos o ator, moeda do estúdio que se desvaloriza com a idade. Ele é substituído pela atriz em ascensão (Bejo), uma oportunista inicial que é vista como "carne nova" pelo chefão do estúdio (John Goodman) por se dar melhor com a fala do que o personagem de Dujardin - embora nunca escutemos o som da voz dela, em mais uma sacada metalinguística de Hazanavicius.

Ou seja, é um filme sobre o som - melhor dizendo, um filme mudo sobre a necessidade da fala. No fim, um filme sobre narrativa.

“O Artista” é, portanto, um filme sobre filmes. Mas, mais que fazer uma homenagem, com direito ao bom humor que conhecemos de Charles Chaplin e Buster Keaton (mais de Chaplin, talvez), ele coloca em perspectiva a evolução do próprio cinema como arte e como negócio. O que serve à transição do filme mudo para o filme falado, cabe ao preto-e-branco para o colorido, à película para o digital, ao 2D para o 3D. Parece filme antigo, mas é atualíssimo.


O ARTISTA (The Artist, 2011, França/Bélgica). Direção: Michel Hazanavicius. Roteiro: Michel Hazanavicius . Fotografia: Guillaume Schiffman. Montagem: Anne-Sophie Bion, Michel Hazanavicius. Música: Ludovic Bource. Produção: Thomas Langmann, Emmanuel Montamat. Com: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle. Distribuição: Paris Filmes. 100 min
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Filmes de Cannes no Brasil


Cena de "A Árvore da Vida".

É comum que os principais filmes premiados no Festival de Cannes demorem para chegar ao Brasil. O vencedor da Palma de Ouro do ano passado, por exemplo, “Tio Boonme”, chegou a São Paulo apenas em janeiro e só agora está em cartaz no Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, numa mostra especial.

Mas este ano as coisas parecem estar diferentes. O grande vencedor do Festival, “A Árvore da Vida”, está previsto para chegar aos cinemas brasileiros já no próximo dia 23 de junho. A distribuição é da Imagem Filmes. Estrelado por Brad Pitt e Sean Penn, e dirigido pela lenda do cinema americano Terrence Malick, o longa-metragem é descrito como um "drama épico sobre a perda da inocência".

Outro filme que deu muito o que falar em Cannes é “Melancolia”, do cineasta dinamarquês Lars von Trier. Considerado pelo público do festival como "o mais bonito filme sobre o fim do mundo já feito", “Melancolia” recebeu o prêmio de Melhor Atriz para Kirsten Dunst e chega ao Brasil em 5 de agosto, pela Califórnia Filmes.

Também já tem previsão para entrar em cartaz no país o vencedor do Grande Prêmio em Cannes, “O Garoto de Bicicleta” (Imovision), dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, e o elogiadíssimo, mas não premiado pelo júri “La Piel que Habito” (Paris Filmes), de Pedro Almodóvar. Ambos chegam às telas brasileiras em 4 e 25 de novembro, respectivamente.

A seguir, a lista de filmes exibidos em Cannes (premiados e não premiados) já adquiridos por distribuidoras brasileiras:

- "A Árvore da Vida", de Terrence Malick (Imagem Filmes, 23 de junho)
- "Beloved", de Christophe Honoré (Imovision, sem previsão)
- "Declaration of War", de Valerie Donzelli (Imovision, sem previsão)
- "Drive", de Nicholas Winding Refn (Imagem Filmes, sem previsão)
- "O Garoto de Bicileta", de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Imovision, 5 de novembro)
- "Isto Não é um Filme", de Jafar Panahi (Imovision, sem previsão)
- "Le Havre", de Aki Kaurismaki (Imovision, sem previsão)
- "Meia-Noite em Paris", de Woody Allen (Paris Filmes, 17 de junho)
- "Melancolia", de Lars von Trier (Califórnia Filmes, 5 de agosto)
- "This Must Be The Place", de Paolo Sorrentino (Imagem Filmes, sem previsão)
- "Trabalhar Cansa", de Juliana Rojas e Marco Dutra (Polifilmes, sem previsão)
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Festival de Cannes divulga cartaz da 64a. edição


Faye Dunaway estampa o pôster oficial da 64ª edição do Festival de Cannes, que acontece entre 11 e 22 de maio.

A imagem da atriz é de 1970, fotografada pelo cineasta Jerry Schatzberg, vencedor da Palma de Ouro em 1973 com "Espantalho". Ele também é diretor de filmes memoráveis como "Os Viciados" (1971) e "Armação Perigosa" (1987).

Com Faye Dunaway, Schatzberg trabalhou em "Puzzle of a Downfall Child" (1970), seu longa de estreia. O filme foi restaurado recentemente e será exibido em Cannes, em sessão de gala com presença do cineasta e da atriz. Posteriormente, a cópia será exibida nos cinemas franceses e a Universal Pictures deverá lançar em DVD e Blu-ray.

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Parabólica: Trailer do novo "X-Men", dois projetos para P.T. Anderson, um para Oliver Stone e predições para Cannes


Aquele ar de série de TV que as primeiras fotos de "X-Men: First Class" deixaram se confirmou com o primeiro trailer do filme dirigido por Matthew Vaughn. O visual tenta emular figurino de época, mas a textura das imagens é aquela mesma coisa que a Marvel vem impondo a todos os seus filmes, algo meio fantasia, meio realismo, que acaba ficando no meio do caminho. Nem o CGI ajuda, parece coisa barata, mal acabada (o que pode melhorar na versão final, embora eu não acredite muito que deixariam o primeiro trailer do filme dar impressão de estar inacabado). Enfim, não boto muita fé. Mas é aquilo: como sou sempre muito otimista, tomara que surpreenda.



O Bryan Singer, que produz esse novo "X-Men", defende o filme nesta entrevista e fala sobre os novos personagens.

Por falar no Singer, aquela adiada e adiada, planejada e planejada, engavetada e engavetada refilmagem de "Logan's Run" finalmente parece estar saindo do papel, com Ryan Gosling no papel principal (grande escolha) e o dinamarquês Nicolas Winding Refn (do elogiado "Bronson" e da trilogia "Pusher") na direção. Potencial muito grande de sair coisa boa daí.

E por falar em série de TV, agora, uma de verdade: "Terra Nova", produzida por Steven Spielberg. Qualquer semelhança com "Avatar" e "Jurassic Park" é mera coincidência. Veja o trailer:



Curioso para saber sobre o próximo filme de Paul Thomas Anderson? Pois, agora, ele tem dois projetos em vista. Além do filme sobre cientologia, "The Master", ele pode adaptar o romance policial "Inherent Vice". Enquanto Phillip Seymour Hoffman deve ser o protagonista de "The Master", Robert Downey Jr. pode interpretar o personagem principal "Inherent Vice", um detetive viciado que investiga o desaparecimento do milionário amante de sua ex-namorada na Los Angeles de 1969. A escolha de Downey me parece muito óbvia, mas seria interessantíssimo ver Anderson trabalhar com um filme de gênero. Fica a torcida para que ambos os projetos sejam feitos.

Oliver Stone está preparando um novo filme policial, sobre amigos traficantes que têm a namorada sequestrada e partem em busca de vingança. Jennifer Lawrence, indicada ao Oscar por "Inverno da Alma", deve interpretar a mulher dos dois. Será que Stone volta à velha forma de "Reviravolta" e "Assassinos por Natureza"?

E Heitor Dhalia vai dirigir Amanda Seyfried no suspense "Gone". Começa a filmar em maio. Cheiro de "Água Negra" no ar...

O IONCINEMA.com publicou apostas para a seleção de Cannes este ano. As previsões incluem muitos dos filmes que eu listei como promessas para 2011. Na competição principal, por exemplo, estão os esperados Wong Kar-Wai, Lars von Trier, irmãos Dardenne, Almodóvar, Malick, Philippe Garrel...

Encontrada na Rússia uma verdadeira "arca do tesouro" de filmes mudos dados como perdidos. Via @SylvioGoncalves
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